Uma carta



            Pequena carta inverossímil.


Sejamos simples, a troca de flores por armas há tempos deixou de ser desejada, não houve um segundo de hesitação, os dedos seguiram o desígnio do cérebro, uma vez tencionados, disparam e dispararam e dispararam, fuzilando assim...Não foi por amor o assassinato da flor.
 Sejamos diretos, deixamos os morangos mofar e o céu explodir. Sangue deveria ter jorrado de todos nós quando assistimos a morte de nosso futuro, não tivemos tempo para chorar, porém agora nos faltam lágrimas. Nossa covardia foi viver para lutar novamente, viver para perceber que quem se postava, olhos a encarar o batalhão, era a luta em si. Caixões e enterros, cemitérios e lápides; nada, o sepulcro foi feito no coração de nosso tempo. Passado, acabado.
Serei honesto, cruel, redundante, não sou um derrotado, nada perdi, a Utopia que se perdeu.
Um ultimo sopro de motivação você me pediu, infelizmente só posso te oferecer isso: a lembrança.


               (Cena de Watchmen.)

2 comments:

Herley said...

Foda!!
Dramático e exagerado, mas muito bem escrito. Sabe empregar as palavras certas para causar o efeito desejado.

Rafael said...

Tá me chamando de calculista! :<