Trecho do novo livro.

Como alguns pediram, vou postar um trechinho do meu novo livro, ainda sem nome.
Nem tudo pode parecer lógico, mas isso é lógico, afinal é só um trechinho, no livro tudo se explica....teoricamente....
Boa sorte!




Mais uma inocente conversa de bar

Não há heroísmo em suas cicatrizes, tua dor provém do desejo por uma vitória que nunca será alcançada e, portanto, nunca deveria ter sido almejada. Pode o tolo cão desejar o papel de homem? Eu disse que te amava? O que te faz pensar que minha mão não será firme e potente frente a teu levante impróprio?

Devo eu crer, que o silêncio é a mais certa resposta frente à escravidão que me submete? Supostamente é meu dever aceitar os grilhões que foram impostos no longínquo passado a meus irmãos? O sangue que em mim corre, clama por insurgência! Respondo-lhe nos mesmos termos que me questionaste. Eu disse que te amava?

Podes tua voz ressoar alta em tantos corações felizes com o pão de cada dia? Diga-me, espera que teus clamores sejam compreendidos, por aqueles que não sentem a ferida ainda ardente? Aqueles cuja necessidade arde, talvez o escutem, mas de que valem os miseráveis? Tuas insólitas idéias à incompreensão estão fadadas, tua revolução como loucura será conhecida, teu clamor somente a seu sangue pertence. O sorriso que se mostra em minha face, não condiz com a tristeza que sinto em vê-lo tomar esta estrada rumo decadência.A solidão o acompanhará, através de sua vida somente a decepção o olhará nos olhos.

Que a solidão então me acompanhe! Se a única maneira de encarar meu reflexo com a dignidade que tal ato exige é tomar este árduo caminho que predizes, tenha certeza e não fé, jogo-me com toda a felicidade neste rumo sem volta. Tuas maldições não se cumprirão, pois a vida que habita meu ser neste instante é a prova da imortalidade de meus pais e de todos que antes aqui pisaram, logo, não temo a morte, meu inimigo é a inércia, o conformismo. Minha voz não carece de ouvidos, e mesmo que chegue o tempo em que minha boca não consiga proferir os verbos que desejo, minhas letras cumprirão com meus anseios. Sei que não sou o primeiro a me levantar, e posso lhe garantir não serei o ultimo!

Pensas haver igualdade em meio a tantas diferentes mentes? Olhe-se! Faça algo por ti, não deposites seu poder em outras mãos, o desapontamento será grande, assim como representas a beleza e a pureza, encontrará outras representações antônimas a ti, justamente no local onde depositas suas esperanças.

A água que cai dos céus, pode alimentar uma árvore, um animal, talvez ela se junte a um rio, ao mar, infalivelmente ela retornará aos céus, esta é sua única certeza. Ela desconhece seu caminho, mas tem certeza de seu destino. Meu fim é garantido, eu não o temo. Sei o que tenho de fazer, sou água revolta, tempestuosa, nunca me acalmarei em um lago tranqüilo esperando pelo tenro toque do Sol, aguardando pelo retorno aos céus.

Os extremos sempre são surpreendentes, a tolice, assim como a sabedoria, ainda me fazem sorrir. Há tanta beleza em suas palavras, tanta certeza, tão pouco sentido. Filho não tome este rumo, pensas que teus olhos enxergam adiante, no entanto esta mão acolhedora que se posta a sua frente, eles não são capazes de notar.
Eu vejo esta mão estendida, mas chamo-a de escravidão e nunca ousarei aceitá-la. Garanto-lhe há de chegar o dia em que sua mão por ninguém mais será aceita!

A mão que afaga é a mesma que pune, mas limito-me a dizer-lhe: nunca necessitarei puni-lo. Tua dor será causada por teus irmãos, teu peito será aberto por aqueles em que você empenhará sua vida.
Pois que ele seja rasgado sem dó, pois assim eles verão um coração em que cada batida foi impelida pela ânsia de mudança, de vitória, de liberdade. Meus irmãos são o que deveriam ser, e isto esta muito distante do que eles podem ser! LIVRES!
Que assim seja! Um brinde a liberdade! - Disse a criança. – Bebemos juntos, mas não do mesmo líquido, isto que tanto inebria nunca adentrará meu ser.
Eu bebo a Liberdade! – Completa o velho rapaz, não tão velho, não tão rapaz.







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