Feliz 2011
On the life
Sequência livre programável.
A carreta da Morte - Parte I
Mais um: Blitzkrieg
O beijo; flerte com o caos
O país onde nasci diz tão pouco sobre quem sou.
A cidade onde vivo diz tão pouco sobre o que sou.
A casa onde vivo diz tão pouco sobre mim.
O reflexo que crio no espelho não diz nada.
A imagem que visto, ela diz: sou alguém que se veste mal.
Quando tudo não passa de um desejo por uma completude inatingida, meus lábios dormem em confissões vomitadas no olho de seu furacão.
(A velha senhora, que se senta ao lado daquele jovem, enquanto o barco cruza o Atlântico, olha assustada para sua direita e pensa: De que ele esta falando?)
Quando toda a verdade do existir baila neste presente utopicamente real: algo como um beijo; o que pode dizer o ruído de meus passos sobre mim?
O futuro: incógnita de filósofo de bar. O presente: confissão de adolescente idoso. O passado: espinho real da valsa labial, tão ensaida, nunca dançada.
(A velha senhora, que se senta ao lado daquele jovem, enquanto o trem cruza São Paulo, incomodada com aquele falatório sem sentido, vira-se para observar a paisagem interna do trem, sem se esquecer, é claro, de aguçar sua audição para continuar a apreçiação daquele espetáculo repentino.)
Rios passam, vidas passam.
Pensamentos se repetem, palavras se repetem, pessoas se repetem.
O primeiro corte é o que mais dói, porém não é o mais profundo.
A ferida do pensar é a consciência da fronteira entre: o sonhar e o viver.
o querer e o ter.
eu e... o além.
(A velha senhora, que se senta ao lado daquele jovem, enquanto o ônibus se arrasta pelo Vale do Paraíba, não se aguenta e fala maternalmente: Filho, o que aconteceu? Você precisa de ajuda?)
Calado ele pensa em voz alta:
Como explicar-lhe minha mãe, que entre faróis e planos que passam a 110km/h, minha mente se encontra presa a um algo(ser?) desconhecido? Acorrentado estou a um grande isto, que já passado, vale-me mais que qualquer futuro que há de ser.
(A velha senhora, que se senta ao lado daquele jovem, enquanto o avião aterrisa em uma grande cidade qualquer, olha-o nos olhos e fala-lhe sobre desejos e sonhos, amores e dores, o passado e a ausência. Lágrimas secas suicidam-se, uma após outra, daqueles olhos experientes e , tal como as palavras, desperdiçam-se na imensidão do oceano do presente. Ela fala sobre a ditadura da solidão e a escravatura da paixão. Diz que todos os navios buscam a segurança dos portos somente para zarparem livres novamente. Ela fala, fala, fala, até enfim perceber no branco dos olhos daquele jovem, o quão vazios são seus conselhos. Somente o silêncio será capaz de dizer algo para aquela vida.)
A carruagem para e o jovem desce, calado. Uma vez mais chega ao destino indesejado.
Brindemos!
Ao passado: o passado. Ao futuro: os planos. Ao presente: a ausência do presente, em outras palavras, voltemos à normalidade.
Créditos das fotos:
Foto 1: http://kaneda99.deviantart.com/art/kiss-15332431
Foto 2:http://zeenon.deviantart.com/art/Kiss-129980442
Contos de primeiro de janeiro.
Drogas não matam, elas alegram. Por que tanta tristeza?
Uma carta
(Cena de Watchmen.)
Poesia?
"Você leu; não entendeu: é moderno!"
Entrevista com um escritor de abas.
CJ : Como um grande escritor de abas de livros, de que maneira o senhor definiria a arte de resumir um livro em um espaço tão pequeno?
Escritor de abas: Gosto de ilustrar minha tarefa com a seguinte imagem.(Espero que já tenha visitado o Rio de Janeiro). Imagine-se no alto do corcovado, aos pés do Cristo Redentor, umas das maravilhas do mundo moderno. Para mim, toda vez que escrevo a aba para uma grande obra, sinto-me como esse Cristo de concreto, uma dispensável criação frente a uma infinita beleza. Algo como se eu, mera insignificância mortal, ousasse postar-me de braços abertos frente à natureza, desafiando sua beleza natural com minha simples presença demasiada impura, humana. Oras, todos os que já subiram aos pés daquele monumento e realmente sentiram por todo o corpo, como uma miragem, a beleza daquela paisagem, compreendem que aquele horrendo esforço de terra, pedra e cimento, humanamente imperfeito, inverso ao encanto da imensidão natural, não passa de um chamariz. É óbvio, para mim, que ele, o Cristo Redentor, não se coloca de braços abertos como um alguém a dar as boas vindas, a esperar por um abraço. Ele esta lá crucificado, a exibir a sua pequenez frente a grande obra.
Senti-me especialmente assim ao escrever as abas de Guerra e Paz, de Leon Tolstoi. Fui obrigado a registrar para a posteridade a minha insignificância, minhas palavras estão lá, crucificadas. Embora meu trabalho seja de um anonimato que pode ser entendido tolamente como confortante, a mim, não há o desconhecimento do autor daquelas palavras desnecessárias. Cada aba para mim é um novo sacrifício. Considero-me um masoquista, afinal, gosto do que faço, pois no fundo a um certo tipo de coragem entrincheirada nas linhas que abraçam as letras de uma grande obra.
Poesia?
Palavreado
Perdi a mãe, o pai, o amor, a vida.
Perdi a noite, o sono, o sonho.
Perdi a mim, ganhei a bebida!
E ainda assim, há de nascer o Sol!
Perdi o passo, o caminho, a direção.
Perdi o sorriso, a alegria, o encanto.
Perdi a força para viver na contramão.
E ainda assim, há de nascer o Sol!
O raiar de um novo dia, um filho a nascer, um fruto a cair.
No entanto, sou mãe seca, árvore estéril.
Quisera um fruto, um filho, um raiar do Sol.
Nascerá o Sol?
Quisera não escrever incompreensíveis palavras.
Mas sim, palpáveis sentimentos.
Quisera moldar o sentir, não o pensar.
Quisera que o Sol não nascesse amanhã!
Trecho do novo livro.
Nem tudo pode parecer lógico, mas isso é lógico, afinal é só um trechinho, no livro tudo se explica....teoricamente....
Boa sorte!
Mais uma inocente conversa de bar
Devo eu crer, que o silêncio é a mais certa resposta frente à escravidão que me submete? Supostamente é meu dever aceitar os grilhões que foram impostos no longínquo passado a meus irmãos? O sangue que em mim corre, clama por insurgência! Respondo-lhe nos mesmos termos que me questionaste. Eu disse que te amava?
Ok, eu tenho duas personalidades e estou falando sozinho, mas vale alertar: o texto abaixo não é comum...(Vou levar estas suas palavras como um elogio)
Entretanto...
A novidade era ser igual, não havia mais razão em buscar o que os diferenciava, pois no mundo a verdade falhara, tal como animal doméstico que não sabe dar a patinha:
Dá a patinha Susy! E Susy se levanta e diz: Penso, logo não dou a patinha! Pobre dona que sorri e continua sua vida, ignorando sua bela cadelinha, o belo ser que com ela vive, que por incompreensão se torna tão somente um animal desprovido de razão. Razão?
Poupemos-nos de discursos elevados sobre a natureza da “razão”(!?), sobre a natureza do ser, sobre nós! Oras. Eu gostaria de me poupar de mim mesmo! Perdoe-me se lhe ofendi! Seja você língua, pensamento, homem ou filosofia.
Voltemos a novidade, pulemos então a razão para assim prosseguirmos a explanação, afinal, simplesmente tudo se trata de uma única palavra...
Desconexa, nostálgica, rebelde, lembra meu velho professor, sempre a me falar dos livros que leu, das pessoas que não conheceu, dos filhos que perdeu e dos amores que não viveu.
Perdoe-me, não há mal em dizer isso, estou talvez me estendendo demais:
Olha lá em cima, chega de adivinhações, lê! é dela que falo e todas estas palavras foram em vão, tenho a absoluta certeza...deveria ter apenas deixado-a sozinha...Maldade? Talvez,mas me dói a solidão alheia.
Eis o sentido de todas esta verborragia(PS:mistura de tinta vermelha com vômito), isto não passa de minha reposta , que somente consegue assustar minha dona, pobre mulher, só queria a patinha.
Entretanto...
Trecho - Pedro, filho de Pedro
Humano, tolo, falso

Coração aberto; olhos fechados

Palavras Vomitadas
And I see you on the other side
Não julgue um homem simplesmente pelo seu modo de vida, suas ações, sua maneira de responder aos estímulos que o mundo lhe envia, não somos tão simples assim. Só se pode julgar um ser aquele que for capaz de enxergar de cima, de fora, o contexto onde tal imperfeita criatura vive.
Somos escravos, de nossos desejos, de nossos instintos, de nossas necessidades biológicas, livre arbítrio...Doce ilusão...Liberdade o que você deseja? E o que seria isso nos dias de hoje?
Dinheiro? Carros, falsa segurança? Você é um reflexo da sociedade onde vive, sua personalidade é uma faceta do contexto onde você está inserido, Eu sou apenas mais um, uma alma livre nessa prisão do existir, sem propósito ou finalidade, apenas vivo um dia após o outro.
Passo após passo...Assim como você, apenas de um ângulo diferente...
Tenho filhos para sustentar, fome para matar, um futuro em minhas sujas mãos, sabes melhor que eu que não sou o único, faço apenas o necessário e acredite, existem muitos piores que eu. Não vou matar-lhe, gostei de seu rosto, algo me diz que você tem algo de diferente pulsando ai dentro da sua cabeça, quem sabe um dia não me retribua este favor.
Ora, não me olhe assim, ponha se em meu lugar!!! Apenas faço o que tem que ser feito, assim como os urubus que se alimentam da carne podre, eu me alimento de você, sou um agente criador do medo neste sistema, sou necessário, afinal, sem mim haveria muita carniça pelas ruas.
De qualquer forma, vá! Corra fuja, você viverá hoje! Vá!
Corra, como se realmente houvesse esperança para a sua vida, corra como se um dia você fosse capaz de tocar o rosto de sua mulher novamente, de ver o sorriso de seu filho, esqueça, este é o seu fim, te vejo do outro lado, adeus!
Assim como uma criança
Simplesmente curioso, assim se definia um físico que exercia seus conhecimentos matemáticos em uma pequena e velha empresa contábil alemã. Um homem que via o mundo pelos olhos de uma criança, curioso, ansioso por entender o enigma de nossas vidas. Para ele cada folha que se lançava ao vento era mais uma pista dada pela natureza para resolvermos tão complexa e magnífica charada. Seu nome? Albert Einstein.
Nossa mente é fértil, um nobre solo para novas idéias. Porém, muitas vezes não plantamos semente alguma, por diversas vezes não cultivamos neste solo, nada além de flores de plástico, compradas, prontas, que a nós não dão trabalho algum. Muitas vezes o cinza da rotina enuveia nossas mentes, cansando-as, restando a ela somente a função de coordenação de nossos órgãos vitais.Criamos preconceitos, adotamos definições, fórmulas, algoritmos, tudo o que puder facilitar, toda a comida já mastigada é melhor, não é?
Quem se surpreenderia mais ao ver uma apresentação na qual um ilusionista levita sobre a platéia; você ou uma criança? Você, pois sua mente já está trancafiada na idéia de que homens não são capazes de levitar , afinal tal fato é contra as leis da natureza, ou melhor as leis dos homens.
Enxergue o mundo através de seus olhos, não por meio de fotografias tiradas por aqueles que tiveram mais coragem que vocês. O desejo de entender esta união de incontáveis perguntas que gentilmente apelidamos de vida, vem de dentro. E para os poucos, que fizeram desta necessidade o guia de suas vidas, existem páginas e mais páginas em nossos livros de estudo, seus nomes e teorias se tornaram parte da história da humanidade, mas eles estavam certos? Só há uma maneira de descobrir...
Por isso, seja uma criança, curiosa, deslumbre-se a cada momento com o mundo que se abre ao seu redor, toque, aperte, morda. Tire as suas conclusões, crie o seu conhecimento, monte o seu mundo. Faça do quebra-cabeças da vida seu objetivo maior, afinal “ as sementes da descoberta flutuam constantemente à nossa volta , mas só lançam raízes nas mentes preparadas para recebe-las”.
Texto desenvolvido para a avaliação da disciplina de Leitura e Produção de Textos, no ano de 2006, na primeira série do curso de Letras







