Feliz 2011


Asssim caminha a humanidade? 



Dia quente e branco, a Tv rebobina tudo o que não deveríamos ter feito, fica no ar um gosto embriagado de erro. Sonhos passados vão se apagando com os passos firmes e incertos das multidões, do meio-dia à meia-noite o galo desvairado canta, sinos não soam e a noite se faz dia com explosões de ânimo instantaneamente necessário.
Uma década se passou no calendário, em minha mente menos que isso, ou talvez mais - A memória, não vou falar sobre isso. – Assim diz a bela desconhecida dos bancos de trás das aulas de reciclagem para motoristas infratores. 
 O mundo inteiro e até um pouco mais, florestas no deserto[1], e tudo vem passando, há séculos, e essa angústia parece tão minha como as estrelas no céu. – Te dou o céu se você iluminá-lo. – Disse o poeta, somente para escutar – Você céu, eu mar, ambos infinitos e distantes. – E assim selou-se um beijo de alma, olhos fechados escutando o tilintar de brindes à borda de uma nova década.
Faltam dois minutos para nada mudar e todos comemorarem. Risos e lápides, ossos e abraços, e na imaginação, aguardo pelo sinal que atravessa as existências e nos impele passo e passo, mesmo sabendo que essa busca sempre encontra um silêncio duro e doce.
Não entendem, e não entendemos, e tudo é calmo e flácido.
Luzes apagadas e roupas sujas no chão do banheiro; clarões gritam nos céus e borram uma existência que se banha na solidão ruidosa de um hotel à beira da selva, da praia, do sertão. Algo como uma bolha de sabão se forma entre o corpo e o braço, ele não a vê, por breves instantes o sabão e a sujeira em comunhão tornam-se beleza visível e solitária, intocada por olhares dispersos. No espaço vazio não restou memória.
A água que correu presa por quilômetros de humanidade submersa se joga do chuveiro, fria, ruma novamente ao esgoto, não tocou o corpo nu. É noite e o céu ressoa em cores de sonhos, é noite e o sabão e a água, e o cloro, e muito mais coisas lutam para limpar a imundície de ser aqui, agora, e todo o resto ao mesmo...É noite, e que água caia enquanto a pólvora ascender ao alto.
A agonia de saber-se presente na festa inevitável é o borrifar do perfume no pescoço, a olhadela no espelho, a escolha da roupa íntima menos velha.   
Há um lugar no escuro para onde os sonhos vão, onde se apagam e viram memórias choradas no travesseiro.
Um velho senhor a conversar com o cachorro, da filha, num quarto reformado e branco. A televisão transmite a festa, e nada impedirá as tristes manhãs de domingo. 
Assim tem sido?                                          
Foi-se
E nem foi.



Ps: As fotos deste post estão disponíveis no site do projeto Fortepan ( http://www.fortepan.hu/ ), que disponibiliza fotos amadoras do século passado. As duas fotos utilizadas neste post datam de 1903.



[1] Andréa Doria, Legião Urbana

On the life


I
“Acordei com o Sol rubro do fim de tarde; e aquele foi um momento marcante em minha vida, o mais bizarro de todos, quando não soube quem eu era – estava longe de casa, assombrado e fatigado pela viagem, num quarto de hotel barato que nunca vira antes, ouvindo o silvo das locomotivas  e o ranger das velhas madeiras do hotel, e passos ressoando no andar de cima, e todos aqueles sons melancólicos, e olhei para o teto rachado e por quinze estranhos segundos não soube realmente quem eu era. Não fiquei apavorado; eu simplesmente era uma outra pessoa, um estranho, e toda minha existência era uma vida mal-assombrada, a vida de uma fantasma.” Jack Kerouac, On the road
II
Ao lado do grande e espalhafatoso, soberbo, global, teatro rosa, em um beco escuro e vazio, contornado pelo fedor das entranhas dos grandes centros, eu aportei brevemente. A noite sempre conduz por caminhos tortuosos.
- Do que está fugindo? – vieram as sibilantes palavras a ecoar pelas paredes com tijolos à mostra; uma voz com a força da recordação de um trovão extinto.
- Não estou fugindo, estou buscando.
- Bem idealista, mas vejo um jovem cambaleando por ruelas abandonadas; um foragido é algo bem diferente de um desbravador do desconhecido.
Alfaiate do absurdo! – fitei-o com a calma de quem se entrega a um devaneio. O álcool turvava meus sentidos, tal fora a explicação construída pela minha mente semi desperta para a aura divina exalada por aquele velho recostado no beco.
-  Há quanto tempo tem vagado perdido?
- Sereia aposentada! Dignitário de tempos idos; dirias a Cabral que ele se perdeu das Índias? Teu canto é doce como o mofo de águas paradas; dissemina o odor de um cancioneiro celebrado por traças na biblioteca esquecida do velho convento Anchieta. – Evidentemente eu não compreendia metade das palavras que dizia, estava bêbado e tinha o péssimo hábito de injetar Literatura em minhas falas.
            Instantes de calmaria e vorazes olhares fervorosos antecederam uma grande seqüência de risos. Duas almas enfadonhas perdidas no mundo. Dentre os trajes miseráveis, trajavam o insólito.
            - “Tudo o que tenho para oferecer é confusão”. – ecoou alto nas construções coloniais.
Desengonçados anjos saltitando pelo frenesi do viver. Naftalina de dias vindouros, ainda em gestação no ventre da imaginação. Ririam e riram, enquanto durou a imagem, era o tudo que lhes cabia deste quinhão.
            III
Todas as estradas são conhecidas, existem pois alguém as trilhou. Cada passo no desconhecido é feito sobre pegadas dissolvidas pelo tempo, resquícios de fantasmas que jazem no horizonte longínquo; sempre buscado, nunca alcançado. Meus pés fatigados comprazem-se ao sentir o afago do solo, perdidos no caminhar incessante apenas prosseguem; há força aqui, afinal, aqui pisaram homens. Desvairados, sedentos e tolos, assim como sonhamos ser, todos nós, que travamos o desafio de viver.

Sequência livre programável.


II
Nascemos preparados para a repressão.
Aprendemos demais sobre o que não sabemos e muitas vezes, não nos damos conta da incerteza dos átomos invisíveis. O olho nu nos mostra menos do que gostaríamos de ver.
Ideologia:
Sombras tocam-se sob a luz do sol em uma orgia interrupta.
Sombras unem-se sob a luz da vela em uma caricia natural.
O nosso sonho de comunhão manifesta-se em nossas sombras.
O real está sempre na sombra de um sonho. 

IV
Nascemos preparados para a depressão.
Há mais em comum entre liberdade e sociedade do que uma rima pode sugerir.
Verdade, certeza, real - repete o papagaio.
Notas amassadas no bolso e um sono ancestral, esta noite não tem sonhar.
A economia se desenvolve, o PIB aumenta, e todos riem um sorriso ensaiado no espelho da TV de nossos quartos.
VI
Nascemos preparados para a opressão.
Troco 55 anos de prazer pelo que sobrar da minha vida.
Que rolem os dados, as roletas, os calendários, e os amantes desabrigados do amanhã.
O perdido é o único que não deseja o encontro.
Não era; é. Sempre será.
X
Nascemos preparados...para tudo / nada.
Bocas nunca saciadas pelo leito materno chupam ossos sem carne.
Ó vento!, por que não traz contigo mensagem?
Ó nostalgia de ser tudo o que não fui.
I
Nascemos
Preparados
Talvez
?

A carreta da Morte - Parte I


Quatro anos atrás, o primeiro post da Estante Velha comentava a copa do mundo de 2006. Hoje, final da copa de 2010, escrevo com felicidade por ver que, mesmo que pouco, evoluí ao longo destes quatro anos. Espero ainda estar aqui em 2014. Espero que gostem da primeira parte da Carreta da morte.


 Carniceiro



"" A literatura emana das trevas do abismo entre as palavras e os significados."



Que a vida não é apenas preto e branco já me convenci. Os vilões esperavam na esquina e fingiam ter uma arma. Os vilões passavam em seus carros importados em ternos de cinco mil reais e fingiam felicidade.Os vilões acordavam cedo, todas as manhãs, olhavam-se sonolentos no espelho e saíam atrasados para fabricar o lixo das ruas. Os vilões separavam a grande massa de existências em categorias: heróis e vilões. Esta manhã, no beco, havia um cão morto com marcas de pneu no ventre rasgado. Eu sorri.
            A única certeza de qualquer crime é a minha culpa. Ajoelhado rezo por um álibi, permaneço assim o tempo suficiente para sorrir. A imaginação não poderia inventar tantas diversas contrariedades quantas as há no coração de cada um. Luto nesta guerra somente para deixar todos meus companheiros para trás. Que a bala a mim destinada venha por fim às lágrimas que um dia hão de rolar. Espero não sorrir.
           


            Assim escrevia em seu diário, sentado no teto da velha Kombi 69. O clima noturno e a iluminação contribuíam para a angústia, sem falar na solidão, gerar aquelas letras dramáticas no diário do Diabo.Cupido e Morte dormiam abraçadas, logo abaixo, no interior do automóvel. O Cavaleiro saíra horas atrás em busca de gasolina. Não muito distante dali, O Anjo e o Imperador acorriam a algumas necessidades do corpo.
            Sozinho, o Diabo refazia em sua mente os últimos meses desde o inicio da guerra. Tudo parecia mais evidente agora, e ele gostava disso. Uma vez que todas suas ações podem ser as ultimas, uma vez que cada dia se mostra como o derradeiro, tudo parece, enfim, tomar cores de realidade: Não há mais a necessidade de máscaras. Sem segurança e responsabilidade, sem planos de vida, sem Madalena, sem sexo...aqueles lábios...
            Um ruído vindo do beco o desperta rapidamente de seu momento de aparente distração. Sem hesitar ele pega a pistola, ao lado do caderno, e em um movimento rápido dispara. Um tiro.
Com um pulo, o Diabo se desloca do alto do veículo para o lado de sua vítima. Lamenta-se pela falta de precisão. Mirou a cabeça, mas acertara o pescoço. O cachorro ainda estava vivo, emitia estranhos sons. Morte, já acordada, abria a porta da Kombi com uma faca de cozinha em mãos.
            - Só um cachorro? Você gastou uma bala com um carniceiro? – Dizia  irritada.
            - Não gosto de animais que se alimentam de restos.
            - Cale-se. - disse a Morte enquanto dava um fim no sofrimento do cachorro – Onde está o Anjo? Aquele canalha deveria ser o vigia desta noite.
            - Deve estar brincando com a coroa do Imperador em algum beco escuro aqui por perto.
            - Se dependesse de mim esta pistola não estaria com você. É bom de mira, e daí? A bala que você usou para matar este cachorro pode nos faltar quando formos atacados por um bando de carniceiros.
            - Como se existisse algo além de carniceiros...este cachorro se alimenta de restos, tal como nós. – o sorriso no rosto do jovem Diabo era inevitável.
            - Cala a boca!  Vamos, me ajuda a levá-lo para dentro. Amanhã ao menos teremos carne para comer.
            - Sempre temos carne para comer.
            - Será que tudo tem de ser uma piada para você?
            - Sempre foi uma piada, você que demorou a entender.
           
           
           

Mais um: Blitzkrieg



“- Sim, o império está doente e, o que é pior, procura habituar-se às suas doenças.”
                                                                                  Marco Pólo, Cidades Invisíveis.


                                        Blitzkrieg


Desavisado passante, ele acordou com um sono contido, quase escondido. Quisera dormir a noite toda; não conseguiu. Raia o despertador, erro de um galo qualquer que não mais canta; hora de acordar. Faz se a luz com a pressão do dedo, faz a luz porque raiou o sol, instantes atrás, oras, luz. O teto branco, o quarto sujo, papéis por toda parte, restos de uma noite não dormida povoam aquela mente cujo vicio é o sonhar, de tal forma, no agora, ausente.
            Avisado do que acontece, ele levanta. Liga o computador de seu quarto e vai para a cozinha. Coloca água e café na cafeteira, e vai para a sala. Senta-se, e liga a Tv, enquanto acende o cigarro, falta o fogo, talvez no escritório. Achado o isqueiro, deita-se na poltrona, liga o rádio e fuma, o suficiente para se lembrar que tem fome e que não há nada além de café em sua cozinha. Levanta-se rumo a padaria, quando no portão retorna, esqueceu seu mp3, deve estar no quarto. Jogado ao chão, pega-o, seu celular apita, ali ao lado, é bateria. Coloca-o para carregar, fone no ouvido, parte, cantarolando para si próprio, música levemente desconhecida.
            Na rua, luzes do poste ainda cumprem seu trabalho.O andante escuta muito ruído neste silêncio, de qualquer maneira não perde muito. Não há muito que se ver, escutar, sentir, não há; um quase nada. Amanhece devagar de sua noite não dormida, sem sonhos. Pede, paga, recebe, retorna. Na esquina machuca o pé, cacos de uma garrafa de diversão. Xinga alto, deveria ter se lembrado de calçar um chinelo, um sapato talvez. Mancando segue até sua varanda, com seu esguicho lava o ferimento. Antes de entrar sobra tempo para reclamar da pilha de seu mp3, acabou. Segue.
            Pães na mesa da cozinha, café quente na xícara, curativo no pé. Ele retorna para seu quarto. Desaba na cama, ainda tem um pouco de tempo. Coisas distantes chegam a seu ouvido, um noticia trágica, alguém grita algo sem ritmo, uma pomba morta, chuva, sol, o dia que se seguirá e todas as responsabilidades de ser. Suas pálpebras estão pesadas, ele não tem sono. Pensa em apagar a luz, desiste antes de tentar, não pode.
            Inoportuna coisa, ele emerge, vagueia em busca de uma caneta. Ele rasga o verso de sua conta de luz com tinta vermelha, uma pequena dúzia de palavras. Levanta-se com seu cobertor, pega a chave de seu carro. Vai até a garagem, entra no veículo, banco de trás. Dói. Enrola-se no cobertor, cobre seus olhos. Negro e quente. Adormece, em posição fetal joga-se no sono, sonho. Hoje o dia tem luar, e a única conseqüência é que ele acaba aqui.


                                                     
                                                       O beijo; flerte com o caos

O país onde nasci diz tão pouco sobre quem sou.
A cidade onde vivo diz tão pouco sobre o que sou.
A casa onde vivo diz tão pouco sobre mim.
O reflexo que crio no espelho não diz nada.
A imagem que visto, ela diz: sou alguém que se veste mal.
Quando tudo não passa de um desejo por uma completude inatingida, meus lábios dormem em confissões vomitadas no olho de seu furacão.

(A velha senhora, que se senta ao lado daquele jovem, enquanto o barco cruza o Atlântico, olha assustada para sua direita e pensa: De que ele esta falando?)

Quando toda a verdade do existir baila neste presente utopicamente real: algo como um beijo; o que pode dizer o ruído de meus passos sobre mim?
O futuro: incógnita de filósofo de bar. O presente: confissão de adolescente idoso. O passado: espinho real da valsa labial, tão ensaida, nunca dançada.

(A velha senhora, que se senta ao lado daquele jovem, enquanto o trem cruza São Paulo, incomodada com aquele falatório sem sentido, vira-se para observar a paisagem interna do trem, sem se esquecer, é claro, de aguçar sua audição para continuar a apreçiação daquele espetáculo repentino.)

Rios passam, vidas passam.
Pensamentos se repetem, palavras se repetem, pessoas se repetem.
O primeiro corte é o que mais dói, porém não é o mais profundo.
A ferida do pensar é a consciência da fronteira entre: o sonhar e o viver.
                                                                                               o querer e o ter.
                                                                                                             eu e... o além.



(A velha senhora, que se senta ao lado daquele jovem, enquanto o ônibus se arrasta pelo Vale do Paraíba, não se aguenta e fala maternalmente: Filho, o que aconteceu? Você precisa de ajuda?)

Calado ele pensa em voz alta:
Como explicar-lhe minha mãe, que entre faróis e planos que passam a 110km/h, minha mente se encontra presa a um algo(ser?) desconhecido? Acorrentado estou a um grande isto, que já passado, vale-me mais que qualquer futuro que há de ser.

(A velha senhora, que se senta ao lado daquele jovem, enquanto o avião aterrisa em uma grande cidade qualquer, olha-o nos olhos e fala-lhe sobre desejos e sonhos, amores e dores, o passado e a ausência. Lágrimas secas suicidam-se, uma após outra, daqueles olhos experientes e , tal como as palavras, desperdiçam-se na imensidão do oceano do presente. Ela fala sobre a ditadura da solidão e a escravatura da paixão. Diz que todos os navios buscam a segurança dos portos somente para zarparem livres novamente. Ela fala, fala, fala, até enfim perceber no branco dos olhos daquele jovem, o quão vazios são seus conselhos. Somente o silêncio será capaz de dizer algo para aquela vida.)

A carruagem para e o jovem desce, calado. Uma vez mais chega ao destino indesejado.

Brindemos!

Ao passado: o passado. Ao futuro: os planos. Ao presente: a ausência do presente, em outras palavras, voltemos à normalidade.



Créditos das fotos:
Foto 1: http://kaneda99.deviantart.com/art/kiss-15332431
Foto 2:http://zeenon.deviantart.com/art/Kiss-129980442

Contos de primeiro de janeiro.


Isso mesmo, fui, vi e voltei. Vivo e operante. Segue um texto experimental da série de contos que espero finalizar  antes do fim das férias.
Ps: Bem experimental msm!




Aforismos do Big Bang

Mataram um menino.
(Ele tinha:
 barba de verdade,
 alguns sonhos quase seus,
 entendia meia dúzia de coisas sobre o mundo
 e
 tinha fé no amor de uma menina)

Sabe o composto formado por uma pitada de leucócitos, algumas medidas de hemácias, um pouco de plaquetas e preenchido com plasma? Sabe aquilo que alguns dizem que dão pelo emprego / time / país? Sabe aquela liquido vermelho? Lembra? Geralmente quentinho, alguns tem intolerância, outros adoram. Sabe?

Hoje eu vi um garoto morto e muito sangue escorrendo pelo bueiro.

Vestiu a roupa de super-homem e defendeu sua garota, (que nunca seria sua) talvez essa paixão noturna fosse embora junto com o álcool, assim que ele apertasse a descarga de seu banheiro, como sempre aconteceu, no entanto, como podemos saber se isso realmente aconteceria dessa vez?
Ele a ama, a amou, a amaria?

Axioma gerado pela observação: Amor eterno não dura mais que uma noite.
(Observação: Analisar mais dados, preciso refutar isto!)

Se eu o amava? Amo sim, grandes heróis, libertadores, presidentes do passado, descobridores, inventores, pessoas notáveis, de grandes atos, grandes histórias, grandes nomes desconhecidos por mim. Amo aqueles animais que nunca vi vivos, peixes, onças-pintadas, macaquinhos! Amo a todo e qualquer tipo de desenho que pintam naquele papel, neste papel. Amo sim! E quem não ama?
Não fui eu que o matei.

Esta angústia nasce da dificuldade em estabelecer uma relação de causalidade entre a morte de um garoto e a alimentação de uma família. Qual a relação entre o comercial de lançamento de um novo carro e o Chico bêbado batendo em sua mulher? De que forma o evento A: Rafael tem saudades da mãe que virou adubo, pode estar relacionado com o evento B: Lurdes não precisará limpar o vômito do banheiro esta manhã?

Drogas não matam, elas proporcionam um refugio. Por que fugimos?
Drogas não matam, elas aliviam. Por que somos tão pressionados?
Drogas não matam, elas alegram. Por que tanta tristeza?
Drogas não matam, elas dão lucro. Alguma pergunta mais meu senhor?

“A maior liberdade é não ter nada a perder”
(Fácil provar isso?)

Dona Lurdes chorou, um pouco. Rafael conseguiu dinheiro para se encontrar com sua heroína, de novo. Alguns policiais tiveram trabalho, não muito. Um caixão foi vendido, bem barato. Lágrimas rolaram com dificuldade dos olhos de um pai ausente, nem doeu. Um esguicho foi utilizado para higienizar aquela rua, sem dificuldades. Um homem apressado derrubou seu celular em uma calçada com uma mancha estranha, nem pensou. Uma grande estrela cuspiu luz na metade de uma grande bola de terra a girar mais de seiscentos quilômetros por hora, no vazio, enfim, um grande emaranhado de tecidos e órgãos, que se achava especial, deixou de existir, enquanto ser  consciente, e voltou a ser nada mais que um monte de coisinhas, bem pequenas.

Uma grande explosão, alguns bilhões de anos atrás, colocou uma engrenagem para rodar e desde então tudo tem rodado ininterruptamente.




Refrão

Mataram um menino.
(Ele tinha:
 barba de verdade,
 alguns sonhos quase seus,
 entendia meia dúzia de coisas sobre o mundo
 e
 tinha fé no amor de uma menina)





Uma carta



            Pequena carta inverossímil.


Sejamos simples, a troca de flores por armas há tempos deixou de ser desejada, não houve um segundo de hesitação, os dedos seguiram o desígnio do cérebro, uma vez tencionados, disparam e dispararam e dispararam, fuzilando assim...Não foi por amor o assassinato da flor.
 Sejamos diretos, deixamos os morangos mofar e o céu explodir. Sangue deveria ter jorrado de todos nós quando assistimos a morte de nosso futuro, não tivemos tempo para chorar, porém agora nos faltam lágrimas. Nossa covardia foi viver para lutar novamente, viver para perceber que quem se postava, olhos a encarar o batalhão, era a luta em si. Caixões e enterros, cemitérios e lápides; nada, o sepulcro foi feito no coração de nosso tempo. Passado, acabado.
Serei honesto, cruel, redundante, não sou um derrotado, nada perdi, a Utopia que se perdeu.
Um ultimo sopro de motivação você me pediu, infelizmente só posso te oferecer isso: a lembrança.


               (Cena de Watchmen.)

Poesia?


Segundo um homem, que foi pago para tentar me ensinar, é fácil notar uma poesia que esteja inserida no paradigma da modernidade:
"Você leu; não entendeu: é moderno!"
Oras, ainda não cheguei nesse nível, (espero que não chegue!) mas estou na beiradinha. :)



Cancêr...
Câncer,
câncer,
câncer.
Câncer!
Uma doença.
Um medo.
Uma palavra


Câncer,
câncer
câncer
câncer
Câncer...
Uma pedra no espelho.
Um atentado contra ordem.
Uma revolução.


Câncer?
Câncer
câncer
câncer
câncer!
Vida!
Vida em demasia!
Orgia celular!


(Questão: Sou o corpo ou o câncer?)
Câncer!
Câncer...
Câncer,
Câncer;
Câncer.
Choro?
Rio?
-
Deixa disso,
melhor é contemplar o Cruzeiro do Sul.






Entrevista com um escritor de abas.

Trecho retirado da entrevista concedida por um autor, cujo nome não mencionarei, para revista “Causos do Jeca” de outubro de 2009.

CJ : Como um grande escritor de abas de livros, de que maneira o senhor definiria a arte de resumir um livro em um espaço tão pequeno?
Escritor de abas: Gosto de ilustrar minha tarefa com a seguinte imagem.(Espero que já tenha visitado o Rio de Janeiro). Imagine-se no alto do corcovado, aos pés do Cristo Redentor, umas das maravilhas do mundo moderno. Para mim, toda vez que escrevo a aba para uma grande obra, sinto-me como esse Cristo de concreto, uma dispensável criação frente a uma infinita beleza. Algo como se eu, mera insignificância mortal, ousasse postar-me de braços abertos frente à natureza, desafiando sua beleza natural com minha simples presença demasiada impura, humana. Oras, todos os que já subiram aos pés daquele monumento e realmente sentiram por todo o corpo, como uma miragem, a beleza daquela paisagem, compreendem que aquele horrendo esforço de terra, pedra e cimento, humanamente imperfeito, inverso ao encanto da imensidão natural, não passa de um chamariz. É óbvio, para mim, que ele, o Cristo Redentor, não se coloca de braços abertos como um alguém a dar as boas vindas, a esperar por um abraço. Ele esta lá crucificado, a exibir a sua pequenez frente a grande obra.
Senti-me especialmente assim ao escrever as abas de Guerra e Paz, de Leon Tolstoi. Fui obrigado a registrar para a posteridade a minha insignificância, minhas palavras estão lá, crucificadas. Embora meu trabalho seja de um anonimato que pode ser entendido tolamente como confortante, a mim, não há o desconhecimento do autor daquelas palavras desnecessárias. Cada aba para mim é um novo sacrifício. Considero-me um masoquista, afinal, gosto do que faço, pois no fundo a um certo tipo de coragem entrincheirada nas linhas que abraçam as letras de uma grande obra.




Poesia?

Alguns malucos resolveram contemplar esta poesia como a ganhadora do: "I concurso de poesia da Faculdade Anhanguera", bah...lógico que eu gostei de ter ganho, MAS, gosto mesmo só da ultima estrofe, de resto...:>

Palavreado

Perdi a mãe, o pai, o amor, a vida.
Perdi a noite, o sono, o sonho.
Perdi a mim, ganhei a bebida!
E ainda assim, há de nascer o Sol!

Perdi o passo, o caminho, a direção.
Perdi o sorriso, a alegria, o encanto.
Perdi a força para viver na contramão.
E ainda assim, há de nascer o Sol!

O raiar de um novo dia, um filho a nascer, um fruto a cair.
No entanto, sou mãe seca, árvore estéril.
Quisera um fruto, um filho, um raiar do Sol.
Nascerá o Sol?

Quisera não escrever incompreensíveis palavras.
Mas sim, palpáveis sentimentos.
Quisera moldar o sentir, não o pensar.
Quisera que o Sol não nascesse amanhã!

Trecho do novo livro.

Como alguns pediram, vou postar um trechinho do meu novo livro, ainda sem nome.
Nem tudo pode parecer lógico, mas isso é lógico, afinal é só um trechinho, no livro tudo se explica....teoricamente....
Boa sorte!




Mais uma inocente conversa de bar

Não há heroísmo em suas cicatrizes, tua dor provém do desejo por uma vitória que nunca será alcançada e, portanto, nunca deveria ter sido almejada. Pode o tolo cão desejar o papel de homem? Eu disse que te amava? O que te faz pensar que minha mão não será firme e potente frente a teu levante impróprio?

Devo eu crer, que o silêncio é a mais certa resposta frente à escravidão que me submete? Supostamente é meu dever aceitar os grilhões que foram impostos no longínquo passado a meus irmãos? O sangue que em mim corre, clama por insurgência! Respondo-lhe nos mesmos termos que me questionaste. Eu disse que te amava?

Podes tua voz ressoar alta em tantos corações felizes com o pão de cada dia? Diga-me, espera que teus clamores sejam compreendidos, por aqueles que não sentem a ferida ainda ardente? Aqueles cuja necessidade arde, talvez o escutem, mas de que valem os miseráveis? Tuas insólitas idéias à incompreensão estão fadadas, tua revolução como loucura será conhecida, teu clamor somente a seu sangue pertence. O sorriso que se mostra em minha face, não condiz com a tristeza que sinto em vê-lo tomar esta estrada rumo decadência.A solidão o acompanhará, através de sua vida somente a decepção o olhará nos olhos.

Que a solidão então me acompanhe! Se a única maneira de encarar meu reflexo com a dignidade que tal ato exige é tomar este árduo caminho que predizes, tenha certeza e não fé, jogo-me com toda a felicidade neste rumo sem volta. Tuas maldições não se cumprirão, pois a vida que habita meu ser neste instante é a prova da imortalidade de meus pais e de todos que antes aqui pisaram, logo, não temo a morte, meu inimigo é a inércia, o conformismo. Minha voz não carece de ouvidos, e mesmo que chegue o tempo em que minha boca não consiga proferir os verbos que desejo, minhas letras cumprirão com meus anseios. Sei que não sou o primeiro a me levantar, e posso lhe garantir não serei o ultimo!

Pensas haver igualdade em meio a tantas diferentes mentes? Olhe-se! Faça algo por ti, não deposites seu poder em outras mãos, o desapontamento será grande, assim como representas a beleza e a pureza, encontrará outras representações antônimas a ti, justamente no local onde depositas suas esperanças.

A água que cai dos céus, pode alimentar uma árvore, um animal, talvez ela se junte a um rio, ao mar, infalivelmente ela retornará aos céus, esta é sua única certeza. Ela desconhece seu caminho, mas tem certeza de seu destino. Meu fim é garantido, eu não o temo. Sei o que tenho de fazer, sou água revolta, tempestuosa, nunca me acalmarei em um lago tranqüilo esperando pelo tenro toque do Sol, aguardando pelo retorno aos céus.

Os extremos sempre são surpreendentes, a tolice, assim como a sabedoria, ainda me fazem sorrir. Há tanta beleza em suas palavras, tanta certeza, tão pouco sentido. Filho não tome este rumo, pensas que teus olhos enxergam adiante, no entanto esta mão acolhedora que se posta a sua frente, eles não são capazes de notar.
Eu vejo esta mão estendida, mas chamo-a de escravidão e nunca ousarei aceitá-la. Garanto-lhe há de chegar o dia em que sua mão por ninguém mais será aceita!

A mão que afaga é a mesma que pune, mas limito-me a dizer-lhe: nunca necessitarei puni-lo. Tua dor será causada por teus irmãos, teu peito será aberto por aqueles em que você empenhará sua vida.
Pois que ele seja rasgado sem dó, pois assim eles verão um coração em que cada batida foi impelida pela ânsia de mudança, de vitória, de liberdade. Meus irmãos são o que deveriam ser, e isto esta muito distante do que eles podem ser! LIVRES!
Que assim seja! Um brinde a liberdade! - Disse a criança. – Bebemos juntos, mas não do mesmo líquido, isto que tanto inebria nunca adentrará meu ser.
Eu bebo a Liberdade! – Completa o velho rapaz, não tão velho, não tão rapaz.







Como faz tempo que não posto nada aqui, e para não pensarem que parei de produzir, resolvi colocar um de meus textos que estão na pasta: Escritos pessoais sem sentido.
Ok, eu tenho duas personalidades e estou falando sozinho, mas vale alertar: o texto abaixo não é comum...(Vou levar estas suas palavras como um elogio)







Entretanto...
A novidade era ser igual, não havia mais razão em buscar o que os diferenciava, pois no mundo a verdade falhara, tal como animal doméstico que não sabe dar a patinha:
Dá a patinha Susy! E Susy se levanta e diz: Penso, logo não dou a patinha! Pobre dona que sorri e continua sua vida, ignorando sua bela cadelinha, o belo ser que com ela vive, que por incompreensão se torna tão somente um animal desprovido de razão. Razão?
Poupemos-nos de discursos elevados sobre a natureza da “razão”(!?), sobre a natureza do ser, sobre nós! Oras. Eu gostaria de me poupar de mim mesmo! Perdoe-me se lhe ofendi! Seja você língua, pensamento, homem ou filosofia.
Voltemos a novidade, pulemos então a razão para assim prosseguirmos a explanação, afinal, simplesmente tudo se trata de uma única palavra...
Desconexa, nostálgica, rebelde, lembra meu velho professor, sempre a me falar dos livros que leu, das pessoas que não conheceu, dos filhos que perdeu e dos amores que não viveu.
Perdoe-me, não há mal em dizer isso, estou talvez me estendendo demais:
Olha lá em cima, chega de adivinhações, lê! é dela que falo e todas estas palavras foram em vão, tenho a absoluta certeza...deveria ter apenas deixado-a sozinha...Maldade? Talvez,mas me dói a solidão alheia.
Eis o sentido de todas esta verborragia(PS:mistura de tinta vermelha com vômito), isto não passa de minha reposta , que somente consegue assustar minha dona, pobre mulher, só queria a patinha.
Entretanto...

Trecho - Pedro, filho de Pedro


Este é um trecho de meu primeiro romance, que por enquanto se chama: Pedro, filho de Pedro. Nele um dos personagens acaba de oferecer suborno para dois policias para se livrar de uma situação complicada:




Escutei seus passos se distanciando, o barulho da viatura velha ligando e por fim a fumaça me indica a partida. Já distantes observo o carro partindo, respiro fundo e agradeço a corrupção inerente ao ser humano, não divago muito, deixo os pensamentos para mais tarde. Tenho de continuar e rápido. Talvez nem todos os policias sejam assim, talvez....
Talvez alguns dos homens que deveriam me defender, quem sabe algumas das pessoas em quem deveríamos confiar, realmente façam seu trabalho, prendendo aqueles que não seguem o que cremos ser certo, o que definimos como as leis que regem nossa sociedade. Que espécie de homem pode se vender tão fácil, filhos para cuidar, falta de dinheiro, falta de incentivo, ausência de moral, oras, desculpas são fáceis de se arranjar, justificativas mesmo um assassino tem. Pedro, o mendigo, o matador, o ser que sacrificou sua vida por uma idéia tem justificativas para seus crimes, ele está certo em cometê-los?
O caminho do coração é sempre o correto, pois é o único que te dá orgulho em troca de suas lutas, a derrota ou a vitória de nada importam se você fez o que desejava. O tentar, o realizar é o que se busca. O rugir no peito nunca deveria ser abafado, e só o é, para que a vida social, da maneira que a concebemos, possa se manter. Se todos seguissem seus anseios seria possível caminhar pelas ruas? Não! E por isso, desde jovens, somos treinados, domesticados, domados, do contrário, não haveria um reino para poucos reinarem.
Um policial que mata um ladrão é um bandido. Um ladrão que mata um policial é um bandido. Como tirar uma conclusão sobre isso? Não tiramos, apenas acatamos opiniões alheias, somos muito bem treinados em fazer isso, tivemos uma vida inteira para aprender a fazer isso.
Em uma sala de aula você aprende a se calar, a obedecer aos mais velhos, a respeitar o policial, a nunca reagir quando roubado, a entregar tudo o que tem. Ensinam-lhe que deve estudar para ser alguém, fazem-no acreditar que deve seguir e nunca comandar, deve ler, escrever jamais. O plano é que você seja o secundário, apenas um figurante na sociedade deles, apenas um mero grão de areia, esta não é a verdade? Realmente somos infimamente pequenos?
Nosso planeta é apenas um amontoado de rocha, jogado na periferia de uma galáxia de segunda ordem, no meio da inacabável espaço? Somos minúsculos, esta é a verdade? Você acredita nisso?Eu acredito que tenho de ter fé, não em mim, mas sim no que eles falam!
Eu acredito, sou humilde, sei de minhas limitações, as quais sei enumerá-las perfeitamente, opostamente as minhas qualidades, as quais desconheço. Eu sou um nada, sou um escravo de um mundo que, acima de tudo, ignora minha existência. Estou sobre controle, sou um ser, razoavelmente civilizado, triste, fraco, deprimido, a buscar a liberdade e a felicidade, embora desconheça totalmente, o significado real destas palavras dotadas de enorme abstração. Eu sou um vencido, um figurante em minha existência.
Os produtores de laranja não se preocupam com as laranjas, saudáveis, elas estão prontas, o trabalho foi bem feito. Os produtores temem as laranjas podres, amedrontam-se ao pensar no estrago que uma laranja estragada pode fazer nas demais.Eu não tenho importância, e o fato de acreditar nisso me faz uma laranja saudável; pronta para ser vendida, consumida, apreciada, devorada, ou mesmo jogada fora, meu destino não tem valia.
No passado eu escrevi sobre um protagonista.Ele levantava sua cabeça, caminhava para frente e fazia o que acreditava. Ele não se diminuía em silêncio, não acatava, não subornava, não se menosprezava em fazer o que tinha certeza ser errado. Pedro não deixava que o mundo o mudasse. Ele acreditava ser o centro do universo, o protagonista de sua vida. Esta é resposta, e esta é a verdade, sou a prova disto, sou um fracasso que mesmo em letras deixo meu papel principal ser tomado por um outro alguém.
Um protagonista se define não por fazer o certo ou o errado, e sim por fazer ou não o que acredita. O que o marca é a diferença que nutre do mundo domado ao seu redor, das laranjas saudáveis a sua volta.
É hora de tomar o controle de minha vida, assim como um certo Pedro fez.
Vestir a fantasia de super homem não o torna um herói, tão menos lhe da superforça e todo o resto, no entanto lhe dá algo fundamental; coragem.
Chegou a hora de estragar algumas laranjas!

Humano, tolo, falso


Eu adoraria discorrer sobre a morte, porém seria apenas mais um tolo, um falsário, pois em minha existência uma única vez tal glória provarei, e após ela, creio, nunca mais escreverei.
Eu poderia discorrer sobre a vida, porém seria apenas mais um tolo, um falsário, pois verteria pensamentos sobre uma possibilidade, uma hipótese, pois o existir difere do viver. Abdico de considerações sobre aquilo que desconheço.
Eu certamente seria capaz de discorrer sobre o ódio, porém seria apenas mais um tolo, um falsário, pois o que, e a quem odeio são somente de minha propriedade e imundo me sentiria se em uma mente incitasse tal sentimento, humano, e por tal, putrefacto por natureza.
Eu poderia discorrer sobre a liberdade, porém seria apenas mais um tolo, um falsário, pois nunca a tive, amo por demais para ser abençoado com tal glória.
Eu com certeza seria capaz de discorrer sobre a lógica, porém seria apenas mais um tolo, um falsário, que nunca sentira o cair dos céus sobre o coração, que nunca sentira o surdo baque da paixão, que nunca presenciara o fim dos porquês e, acima de tudo, a ausência dos amanhãs, ou simplesmente, a felicidade como é comumente chamado tal estado.
Eu adoraria discorrer sobre o futuro, sobre os sonhos, sobre o passado, sobre a paz, sobre Deus, sobre cada antônimo do que aqui fora citado, eu adoraria, eu faria, porém seria apenas mais um tolo, um falsário, que a vida entrega ao impalpável, aos sentimentos, as palavras por nós inventadas sem correspondentes no real mundo.
Eu odeio discorrer sobre minha tolice, minha falsidade, meu ímpeto em expressar o que a mim pertence, o desejo em expor o tesouro que meus olhos captam e tão poucos vêem.
Eu odeio discorrer sobre minha tolice em profanar a beleza com sentenças poéticas, falsas, humanas.
Eu odeio discorrer sobre minha tolice em crer, que letras, que histórias, sonhos, tinta sobre o papel, possam fazer alguma diferença na vida do que é naturalmente humano.
Eu odeio admitir minha natureza, tola, falsa, humana, logo, invalidando tudo o que aqui fora escrito.

Coração aberto; olhos fechados



O álcool em seu sangue diminuía seu mundo, as paredes do bar pareciam a cada instante mais próximas de seu corpo. Seu olhar se fixava, sua mente desejava, sua imaginação vagava por cenas de prazer desconexas, sem pudor, naturais, pessoais. Ele a olhava, via sua vida, ali, ao alcance de alguns passos. Sua mão ansiosa acariciava a mesa de bar, sua boca, molhada previa o futuro que a aguardava. A conta crescia, doses e mais doses, junto com elas, cada vez mais, o rufar no peito, o arder na mão, o pulsar de cada músculo do corpo a antever a ação.
O olhar, fixo, se imaginava um artista, via sua obra-prima, a mais medíocre beleza que podia criar, as mais sinceras pinceladas que sonhava em dar, tudo o que se anseia, tudo o que não se quer. Descrições para o que ele via se fazem desnecessárias, palavras são incapazes de expressar o quadro que se formava na mente de Silva. Palavras refletem atos, portanto, podem descrever ele levantando, após horas a encarar uma mulher acompanhada, são capazes de transparecer o gosto do sangue que ele sentiu em sua boca assim que tomou o primeiro soco, a textura de terra que sua língua captou ao perceber que seus dentes haviam se quebrado, para isso, talvez eu possa me utilizar das palavras, no entanto, elas são por demais simplórias, frente ao vendaval de emoções que subiu do peito daquele homem ao vislumbrar a face de tristeza de sua Monalisa, ao vê-lo jogado ao chão.
A dor a algumas doses atrás havia se retirado da companhia de Silva, em virtude de sua ausência a coragem, a idiotice, quem sabe, a paixão resolveram fazer-lhe as honras de parceiras, bem acompanhado ou não, como saber? Ele se levanta, está perdido, não sabe onde está, não sabe porquê está, nada de anormal, sempre em toda sua vida sentira-se assim, logo, familiarizado era. Em pé, encara sabe-se lá quem de cabelos compridos, metido a pitbull, pose de fortão, músculos de musculoso, ele é o homem de sua Mona, ao menos acredita nisso. Provavelmente acha-se dono daquela garota, pobre coitado, doce decepção.
Uma única coisa pode-se afirmar de Silva, ele conhece as pessoas, olhares, gestos, o tom da voz, o ritmo da respiração, tudo se unia e formava uma figura nua aos olhos daquele homem que, neste instante, se via em meio a uma pequena confusão, temporária. Ele sabia, e como é precioso o saber, deter o conhecimento, entender. Pode haver algo melhor que isso? Desde o primeiro momento que Mona o olhou, de canto, tremendo, ele foi capaz de perceber. Veio o segundo olhar, um pouco mais penetrante, muito mais revelador; no terceiro olhar cruzaram os olhos, no quarto se amavam, no quinto Silva estava louco, sabia o que aconteceria, até o fim da noite ela seria sua, ambos desejavam isso. Bem...Pelo tamanho do “ex “ de Mona ele também previu uma certa dor, uma boa dose de contato físico, nada que não fosse capaz de suportar, nada que o fizesse morto, logo, valia a pena!
Em pé, nos pulmões um ar pesado, nos olhos uma decisão, mãos cerradas, corpo pequeno, 1,72 de altura, sessenta e cinco quilos, pouquíssima força nos punhos, uma decisão na cabeça. Silva encara o corpo bem desenvolvido de seu adversário, sim ele é mais forte, mas não é mais homem, pois um homem, não é um acúmulo desnecessário de músculos no corpo e um atrofiamento do cérebro, um homem se faz com ações, e Silva...era homem.Bem este era seu pensamento no instante em que levou o segundo soco, este, no estômago, este, tão dolorido que até mesmo o intestino viu-se obrigado a manifestar sua insatisfação.
Uma infinidade de segundos se perdeu, um montante infimamente pequeno de minutos se passou para o homem, um incontável de ódio se condensou no inferno que se tornou o pensar de Silva. Por míseros minutos o homem sorriu, por um século Silva odiou ao mundo e a si mesmo por sua incapacidade em realizar seus desejos, por sua debilidade em ser, porque sua mente era tão distante da realidade, porque o Silva que se via no espelho não era o mesmo Silva que se refletia nos olhos ao seu redor?
Um relance, um rápido olhar perdido para a esquerda, uma garrafa, ele a pega, a quebra, levanta-se, uma vez mais, no momento exato para ver uma garrafa se quebrar na cabeça do homem, para observar o sangue daquela careca desprezível ir ao chão juntamente com os cacos de vidro, para sorrir ao ver aquele exemplar de monstruosidade jogado. Silva olha para sua mão, a garrafa ainda está ali, o que aconteceu? Não importa, o homem está ao chão e ele está em pé, e a garrafa, bem a garrafa não esta mais em sua mão, o sangue, goteja, o sorriso é prazeroso, a realidade é real. O prazer de acertar um homem no chão é o mesmo de acertar um homem em pé, conclui, porém quem deu a primeira garrafada?
Um puxão responde a pergunta que não fora proferida. Charles, seu amigo, “o amigo”, uma frase:
- Venha logo, estamos sozinhos...preciso sempre te salvar? Você precisa sempre ser tão você?
Silva só percebe que está sendo arrastado por Charles a alguns metros do corpo ainda ao chão do homem, ele só nota que para trás esta ficando seu maior amor inventado da noite ao estar distante do bar. Um debater, um movimento rápido, ele corre, tropeça, cai, chega frente a ela. Ainda mais bela, ainda mais perfeita, ainda mais ela. Ao alcance maculado de suas mãos, ao raio pérfido de suas palavras, no perímetro do calor de seu coração. Ela é sua, ela é Mona, ela sabe disso, e ele sabe disso, toma-a pelas mãos, leva-a consigo, correm, desconhecem, correm, saem, fogem; juntos.
A noite é fria fora do bar, as luzes da desconhecida cidade gigante parecem entreter Charles enquanto Silva caminha ao lado de Mona. Eles se falam, eles se olham, eles se...Nada tem valor, nunca teve, o passado se funde ao presente, que por sua vez devora o futuro, assim como sempre devia ser, da maneira como nunca fora. São tão iguais, são reflexos em um espelho quebrado, são irmãos, velhos amigos, paixões esquecidas, são Silva e Mona.
A noite é longa, tão curta como a brasa de um velho tronco, tão quente como o pólo solitário de nosso planeta, tão extrema quanto nossa existência, na noite criou-se o mundo, nas noites criam-se as vidas, naquela noite criou-se um elo, tão frágil quanto nós, tão forte quanto nós. Mona e Silva foram um, ou não, deitaram-se, abraçaram-se, beijaram-se, oblíquos como estas palavras, comungaram como santos, multiplicaram os, ditos, pecados, adormeceram, como anjos, felizes como não deveriam, jamais, serem. Indefinível foram àqueles momentos, incompreensíveis, mesmo a eles. Juntos, como Silva sempre soube, como Mona sempre soube, como o mundo nunca quis.
E assim foi, a vontade do mundo sempre prevalece, nossa insignificância sempre se destaca. Amanheceu, e juntamente com o Sol veio a realidade sem disfarces alcoólicos, sem retoques surreais, sem felicidade barata. Sozinho, machucado, triste pela perda, feliz pelo sonho, assim foi o despertar de Silva. Levantou-se, estava no apartamento velho que haviam conseguido alugar por um final de semana, ele e Charles. Ao seu lado um cheiro agradável de noite feliz, em sua boca, além da dor, um doce perfume de beijo azedo. Mona sumira, de sua realidade, mas não de sua cabeça, nada que Silva já não houvesse previsto, nada que ele não odiasse. Ele pega seu velho caderno de anotações, pega sua caneta, e na medida de si mesmo, fotografa aquele momento:
Cheiro a ti,
Cheiro ao que não tive,
Cheiro ao que desejei;
Cheiro ao que , feliz, não tive.
Cheiro ao que sou, ao que fomos,
Cheio ao arrependimento, que me dói.
Cheiro ao que, agora, infeliz, não tive.
Cheiro ao que não existiu
Cheiro ao mais real sonho.
Cheiro a mim
Cheiro a ti
Cheiro a tudo,
Ao vinho que cobicei
A taça que não bebi
A vida que escolhi
A noite que se foi
A realidade que me abraça
Cheiro...
Sou assim, a tudo sinto,
Existem tantos cheiros
Porque, justo eu, os sinto tanto?
Porque me é permitido?
Assim...
Cheiro, a mim
E o fedor me perturba,
Frente a tantas fragrâncias divinas.
Cheiro,
Fedo!
Fedo?
Ele lê, não entende, joga no lixo, abre uma cerveja guardada na velha geladeira, corre, vasculha a lixeira, pega o papel, dobra, carinhosamente, acaricia-o, guarda-o. Por um segundo estava a ser como o resto. Jogando fora o incompreensível, temendo o desconhecido, isolando o estranho. Não! Silva não era como o resto, nunca fora, e agora também não seria.
A cerveja flui áspera por sua garganta, a ressaca rugi em seu estômago, um novo soco chacoalha o seu mundo:
- Realizei meu desejo! Desde ontem só penso em te socar! Em bater em seu rosto até que você sinta muita dor.Me diz, por que a mulher do gigante? Por que eu entro nestas brigas por você, quando você não tem a mínima razão? Por que você é meu amigo, como odeio ter esta resposta! Mas até quando vai ser tão falso consigo mesmo? A cada noite uma nova paixão, a cada manhã uma nova decepção? Encare os fatos, um dia vamos nos foder. E vale a pena? Veja, olhe ao seu lado, está sozinho, da mesma maneira que esteve ontem, e antes, e antes. Deslize a mão por seu rosto, senti a dor, valeu?
Um grito arranhado, um gemido contido, uma gota mais de sangue derramado, mais uma manhã.
- Desculpe-me, mas preciso fazer isso, um soco só não seria o suficiente para sanar a minha ânsia, apaziguar a raiva que sinto por sempre me meter em tretas por você. O ódio que me rasga ao vê-lo cometer sempre o mesmo erro. Noites novas, pessoas novas, histórias iguais, enxergue, está na sua cara, até quando? Até quando conseguiremos correr, fugir, até quando
Foram estas as palavras de Charles, o melhor amigo de Silva, fora este o fim, fora esta a última declaração, o ultimo sussurro gritado ao pé do ouvido, assim finalizou sua participação no mundo: sincero, tristemente, real!
Silva sempre conseguiu prever as ações das pessoas, por meio de pequenos gestos ele era capaz de traçar um perfil, provido de padrões de reações definidos a influências do meio, resumindo, ele sabia o que você ia fazer. Isto sempre lhe trouxe uma certa confiança, um pouco de segurança, porém ele nunca preveria que o homem da Mona o seguiria até seu apartamento, que o homem o esperaria, o aguardaria, com uma arma em mãos, vingança no coração, impunidade na mente, amigos no carro com o motor ligado no outro lado da rua. Silva nunca conseguiria prever a cara de pânico de Charles ao ver o amigo baleado no peito, mesmo tendo ele sido atingido antes, na barriga. Silva nunca preveria estas mortes, nunca preveria Charles se arrastando em sua direção, abraçando, em prantos, beijando-o. Silva nunca preveria, pois nunca olhou, nunca prestou atenção ao amor que por tantas vezes o salvou. Este foi o fim, simples. Charles e Silva, este foi mais um fim, que como todos os outros que antes vieram, e depois se seguiram, da tristeza e da alegria sempre compartilharão.

Palavras Vomitadas

Pelo que se lutou no passado? Pelo que lutamos hoje? A era da informação? Ou a era da distração? Já dizia alguém “temos tudo, mas não temos nada”.
Não existe mais a dificuldade na busca da informação, porém o conhecimento onde está? As glórias estão no passado, as lutas lá também ficaram, a busca em si está enterrada, e a vida onde está?
Muitos tentaram definir o que é vida(veja o dicionário). Diria o mais simplório: o contrário de morte; o poeta: é a inspiração sublime que arde dentro de nós; o biólogo então diria: é tudo a nossa volta, desde o mais complexos dos seres, até a simplicidade de uma folha ao vento; para que então o religioso completasse: é o presente que Deus nos deu. Mas afinal, como definir?
Tudo o que EU posso afirmar vem de minha “vivência”, minhas experiências e as conclusões que tirei delas. Vida, não é acordar cedo e se matar em busca de coisas que realmente não necessitamos. Vida é não ter destino, é o imprevisível a cada novo instante de descoberta. Vida, não é ficar sentado em frente a uma tela de computador, buscando amigos, buscando conexões, buscando a vida! Uma vida envolta em falsidades, em paixões fictícias...minto, que mal pode haver em paixões inventadas? Todos precisamos delas...
Vida é aquilo que somos, embora hoje esteja impossivelmente longe de nós. Hoje nascemos e morremos gado, pensar? Não, isso a que chamamos de pensar é apenas a influência do meio agindo em nosso inconsciente, afinal você realmente precisa daquele carro, aquela televisão, o final da maldita novela. Nosso pensamento é facilmente guiado, assim como cordas de uma marionete.
Sentido...esqueça, retorne aos seus livros, as suas ditas grandes verdades, de seus grandes pensadores....essa é a sua, a minha, a nossa grande mediocridade. Eu não escapei, e você provavelmente também não o fará, te apresento a nossa maravilhosa pseudo-vida, a nossa tão bem feita prisão, com certeza nossa maior realização, em quanto espécie Homo sapiens. Olhe no espelho e veja tua maior barreira!
Mesmo estas palavras vomitadas aqui, não acreditem nelas, não as leve a sério. Elas não são nada, assim como você! Assim como eu! É triste ser escrito e não ser escritor; e triste ser história e não criar história.
Assim como uma chuva no mar, gotas no oceano; assim como o álcool em nosso(meu?) sangue e a poluição em nossos corações, sem razão explicações ou motivos. Just this!
Os culpados residem na primeira pessoa do plural, e somente lá. Olho para trás nesta maldita escada composta de milênios e vejo o que deixamos para trás, é triste, como é!
Meu desafio, pegar estas minhas palavras vomitadas, estas minhas idéias desconexas, essa minha visão empírica, e transformá-la em uma história digestível por todos, para que então todos possam compreender do que realmente se trata tudo isso.Quem sabe um dia...

And I see you on the other side

Não julgue um homem simplesmente pelo seu modo de vida, suas ações, sua maneira de responder aos estímulos que o mundo lhe envia, não somos tão simples assim. Só se pode julgar um ser aquele que for capaz de enxergar de cima, de fora, o contexto onde tal imperfeita criatura vive.

Somos escravos, de nossos desejos, de nossos instintos, de nossas necessidades biológicas, livre arbítrio...Doce ilusão...Liberdade o que você deseja? E o que seria isso nos dias de hoje?

Dinheiro? Carros, falsa segurança? Você é um reflexo da sociedade onde vive, sua personalidade é uma faceta do contexto onde você está inserido, Eu sou apenas mais um, uma alma livre nessa prisão do existir, sem propósito ou finalidade, apenas vivo um dia após o outro.

Passo após passo...Assim como você, apenas de um ângulo diferente...

Tenho filhos para sustentar, fome para matar, um futuro em minhas sujas mãos, sabes melhor que eu que não sou o único, faço apenas o necessário e acredite, existem muitos piores que eu. Não vou matar-lhe, gostei de seu rosto, algo me diz que você tem algo de diferente pulsando ai dentro da sua cabeça, quem sabe um dia não me retribua este favor.

Ora, não me olhe assim, ponha se em meu lugar!!! Apenas faço o que tem que ser feito, assim como os urubus que se alimentam da carne podre, eu me alimento de você, sou um agente criador do medo neste sistema, sou necessário, afinal, sem mim haveria muita carniça pelas ruas.

De qualquer forma, vá! Corra fuja, você viverá hoje! Vá!

Corra, como se realmente houvesse esperança para a sua vida, corra como se um dia você fosse capaz de tocar o rosto de sua mulher novamente, de ver o sorriso de seu filho, esqueça, este é o seu fim, te vejo do outro lado, adeus!

Assim como uma criança

Simplesmente curioso, assim se definia um físico que exercia seus conhecimentos matemáticos em uma pequena e velha empresa contábil alemã. Um homem que via o mundo pelos olhos de uma criança, curioso, ansioso por entender o enigma de nossas vidas. Para ele cada folha que se lançava ao vento era mais uma pista dada pela natureza para resolvermos tão complexa e magnífica charada. Seu nome? Albert Einstein.

Nossa mente é fértil, um nobre solo para novas idéias. Porém, muitas vezes não plantamos semente alguma, por diversas vezes não cultivamos neste solo, nada além de flores de plástico, compradas, prontas, que a nós não dão trabalho algum. Muitas vezes o cinza da rotina enuveia nossas mentes, cansando-as, restando a ela somente a função de coordenação de nossos órgãos vitais.Criamos preconceitos, adotamos definições, fórmulas, algoritmos, tudo o que puder facilitar, toda a comida já mastigada é melhor, não é?

Quem se surpreenderia mais ao ver uma apresentação na qual um ilusionista levita sobre a platéia; você ou uma criança? Você, pois sua mente já está trancafiada na idéia de que homens não são capazes de levitar , afinal tal fato é contra as leis da natureza, ou melhor as leis dos homens.

Enxergue o mundo através de seus olhos, não por meio de fotografias tiradas por aqueles que tiveram mais coragem que vocês. O desejo de entender esta união de incontáveis perguntas que gentilmente apelidamos de vida, vem de dentro. E para os poucos, que fizeram desta necessidade o guia de suas vidas, existem páginas e mais páginas em nossos livros de estudo, seus nomes e teorias se tornaram parte da história da humanidade, mas eles estavam certos? Só há uma maneira de descobrir...

Por isso, seja uma criança, curiosa, deslumbre-se a cada momento com o mundo que se abre ao seu redor, toque, aperte, morda. Tire as suas conclusões, crie o seu conhecimento, monte o seu mundo. Faça do quebra-cabeças da vida seu objetivo maior, afinal “ as sementes da descoberta flutuam constantemente à nossa volta , mas só lançam raízes nas mentes preparadas para recebe-las”.

Texto desenvolvido para a avaliação da disciplina de Leitura e Produção de Textos, no ano de 2006, na primeira série do curso de Letras

Sobre a crônica?

Sobre a crônica?

Da tentativa nasce o acerto, do acerto a felicidade e satisfação...na tentativa de uma crônica o que há de sair? Li, escrevi, mas creio que ainda não saiba como extrair da beleza do dia uma bela e majestosa fotografia, que em sua simplicidade viva a alegria que tento fazer verossímil a meu texto.
Uma linguagem coloquial de mim é exigida, pois bem, algo mais coloquial que alguém que não consiga captar o mundo ao seu redor e transforma-lo em belas palavras capazes de dar suficiente diversão para seu café da manhã, enquanto saboreia um quente pão francês e lê seu jornal predileto. Quão coloquial devo ser para tentar exprimir a necessidade que tenho de escrever esta bendita crônica.
A crônica da busca, da falta de inspiração, do desejo cego por algo que não se sabe o que é...se é que “é”...
Em um belo dia cinza e úmido, no ápice da inspiração divina, alguém teve uma idéia:
- Não sei o que escrever, logo, vou escrever sobre o simples, tentarei recolher de nossas vidas uma vaga idéia de seu conteúdo, conseguirei? Bem só há uma maneira de descobrir e matar o meu tédio ao mesmo tempo.
E assim surgiu a primeira crônica, ou não...de qualquer maneira quem liga para a crônica da história da crônicas. Há tantas coisas mais interessantes para se falar, dos nossos políticos corruptos, dos nossos aviões que caíram ou mesmo de nossa apatia e comodismo com tudo isso.
Porém eu não sou capaz de escrever sobre isso, e rapidamente me recolho a simples e estúpida razão de ser de minha crônica, a falta da razão. Talvez minha crônica não seja assim tão simples quanto deveria, ou ainda tão bem estruturada como alguns desejariam, mas é verídica.
É a verdade batendo a minha porta ...mas o que importa, finja que não leu, esqueças de toda essa baboseira, afinal quem se lembra de uma crônica, meu objetivo já foi alcançado se você trouxe seu olho e sua atenção até este ponto. Agradeço e felicidades em sua vida, e sinceramente espero que tenha mais sorte em suas próximas leituras.