Poesia?

Alguns malucos resolveram contemplar esta poesia como a ganhadora do: "I concurso de poesia da Faculdade Anhanguera", bah...lógico que eu gostei de ter ganho, MAS, gosto mesmo só da ultima estrofe, de resto...:>

Palavreado

Perdi a mãe, o pai, o amor, a vida.
Perdi a noite, o sono, o sonho.
Perdi a mim, ganhei a bebida!
E ainda assim, há de nascer o Sol!

Perdi o passo, o caminho, a direção.
Perdi o sorriso, a alegria, o encanto.
Perdi a força para viver na contramão.
E ainda assim, há de nascer o Sol!

O raiar de um novo dia, um filho a nascer, um fruto a cair.
No entanto, sou mãe seca, árvore estéril.
Quisera um fruto, um filho, um raiar do Sol.
Nascerá o Sol?

Quisera não escrever incompreensíveis palavras.
Mas sim, palpáveis sentimentos.
Quisera moldar o sentir, não o pensar.
Quisera que o Sol não nascesse amanhã!

Trecho do novo livro.

Como alguns pediram, vou postar um trechinho do meu novo livro, ainda sem nome.
Nem tudo pode parecer lógico, mas isso é lógico, afinal é só um trechinho, no livro tudo se explica....teoricamente....
Boa sorte!




Mais uma inocente conversa de bar

Não há heroísmo em suas cicatrizes, tua dor provém do desejo por uma vitória que nunca será alcançada e, portanto, nunca deveria ter sido almejada. Pode o tolo cão desejar o papel de homem? Eu disse que te amava? O que te faz pensar que minha mão não será firme e potente frente a teu levante impróprio?

Devo eu crer, que o silêncio é a mais certa resposta frente à escravidão que me submete? Supostamente é meu dever aceitar os grilhões que foram impostos no longínquo passado a meus irmãos? O sangue que em mim corre, clama por insurgência! Respondo-lhe nos mesmos termos que me questionaste. Eu disse que te amava?

Podes tua voz ressoar alta em tantos corações felizes com o pão de cada dia? Diga-me, espera que teus clamores sejam compreendidos, por aqueles que não sentem a ferida ainda ardente? Aqueles cuja necessidade arde, talvez o escutem, mas de que valem os miseráveis? Tuas insólitas idéias à incompreensão estão fadadas, tua revolução como loucura será conhecida, teu clamor somente a seu sangue pertence. O sorriso que se mostra em minha face, não condiz com a tristeza que sinto em vê-lo tomar esta estrada rumo decadência.A solidão o acompanhará, através de sua vida somente a decepção o olhará nos olhos.

Que a solidão então me acompanhe! Se a única maneira de encarar meu reflexo com a dignidade que tal ato exige é tomar este árduo caminho que predizes, tenha certeza e não fé, jogo-me com toda a felicidade neste rumo sem volta. Tuas maldições não se cumprirão, pois a vida que habita meu ser neste instante é a prova da imortalidade de meus pais e de todos que antes aqui pisaram, logo, não temo a morte, meu inimigo é a inércia, o conformismo. Minha voz não carece de ouvidos, e mesmo que chegue o tempo em que minha boca não consiga proferir os verbos que desejo, minhas letras cumprirão com meus anseios. Sei que não sou o primeiro a me levantar, e posso lhe garantir não serei o ultimo!

Pensas haver igualdade em meio a tantas diferentes mentes? Olhe-se! Faça algo por ti, não deposites seu poder em outras mãos, o desapontamento será grande, assim como representas a beleza e a pureza, encontrará outras representações antônimas a ti, justamente no local onde depositas suas esperanças.

A água que cai dos céus, pode alimentar uma árvore, um animal, talvez ela se junte a um rio, ao mar, infalivelmente ela retornará aos céus, esta é sua única certeza. Ela desconhece seu caminho, mas tem certeza de seu destino. Meu fim é garantido, eu não o temo. Sei o que tenho de fazer, sou água revolta, tempestuosa, nunca me acalmarei em um lago tranqüilo esperando pelo tenro toque do Sol, aguardando pelo retorno aos céus.

Os extremos sempre são surpreendentes, a tolice, assim como a sabedoria, ainda me fazem sorrir. Há tanta beleza em suas palavras, tanta certeza, tão pouco sentido. Filho não tome este rumo, pensas que teus olhos enxergam adiante, no entanto esta mão acolhedora que se posta a sua frente, eles não são capazes de notar.
Eu vejo esta mão estendida, mas chamo-a de escravidão e nunca ousarei aceitá-la. Garanto-lhe há de chegar o dia em que sua mão por ninguém mais será aceita!

A mão que afaga é a mesma que pune, mas limito-me a dizer-lhe: nunca necessitarei puni-lo. Tua dor será causada por teus irmãos, teu peito será aberto por aqueles em que você empenhará sua vida.
Pois que ele seja rasgado sem dó, pois assim eles verão um coração em que cada batida foi impelida pela ânsia de mudança, de vitória, de liberdade. Meus irmãos são o que deveriam ser, e isto esta muito distante do que eles podem ser! LIVRES!
Que assim seja! Um brinde a liberdade! - Disse a criança. – Bebemos juntos, mas não do mesmo líquido, isto que tanto inebria nunca adentrará meu ser.
Eu bebo a Liberdade! – Completa o velho rapaz, não tão velho, não tão rapaz.







Como faz tempo que não posto nada aqui, e para não pensarem que parei de produzir, resolvi colocar um de meus textos que estão na pasta: Escritos pessoais sem sentido.
Ok, eu tenho duas personalidades e estou falando sozinho, mas vale alertar: o texto abaixo não é comum...(Vou levar estas suas palavras como um elogio)







Entretanto...
A novidade era ser igual, não havia mais razão em buscar o que os diferenciava, pois no mundo a verdade falhara, tal como animal doméstico que não sabe dar a patinha:
Dá a patinha Susy! E Susy se levanta e diz: Penso, logo não dou a patinha! Pobre dona que sorri e continua sua vida, ignorando sua bela cadelinha, o belo ser que com ela vive, que por incompreensão se torna tão somente um animal desprovido de razão. Razão?
Poupemos-nos de discursos elevados sobre a natureza da “razão”(!?), sobre a natureza do ser, sobre nós! Oras. Eu gostaria de me poupar de mim mesmo! Perdoe-me se lhe ofendi! Seja você língua, pensamento, homem ou filosofia.
Voltemos a novidade, pulemos então a razão para assim prosseguirmos a explanação, afinal, simplesmente tudo se trata de uma única palavra...
Desconexa, nostálgica, rebelde, lembra meu velho professor, sempre a me falar dos livros que leu, das pessoas que não conheceu, dos filhos que perdeu e dos amores que não viveu.
Perdoe-me, não há mal em dizer isso, estou talvez me estendendo demais:
Olha lá em cima, chega de adivinhações, lê! é dela que falo e todas estas palavras foram em vão, tenho a absoluta certeza...deveria ter apenas deixado-a sozinha...Maldade? Talvez,mas me dói a solidão alheia.
Eis o sentido de todas esta verborragia(PS:mistura de tinta vermelha com vômito), isto não passa de minha reposta , que somente consegue assustar minha dona, pobre mulher, só queria a patinha.
Entretanto...

Trecho - Pedro, filho de Pedro


Este é um trecho de meu primeiro romance, que por enquanto se chama: Pedro, filho de Pedro. Nele um dos personagens acaba de oferecer suborno para dois policias para se livrar de uma situação complicada:




Escutei seus passos se distanciando, o barulho da viatura velha ligando e por fim a fumaça me indica a partida. Já distantes observo o carro partindo, respiro fundo e agradeço a corrupção inerente ao ser humano, não divago muito, deixo os pensamentos para mais tarde. Tenho de continuar e rápido. Talvez nem todos os policias sejam assim, talvez....
Talvez alguns dos homens que deveriam me defender, quem sabe algumas das pessoas em quem deveríamos confiar, realmente façam seu trabalho, prendendo aqueles que não seguem o que cremos ser certo, o que definimos como as leis que regem nossa sociedade. Que espécie de homem pode se vender tão fácil, filhos para cuidar, falta de dinheiro, falta de incentivo, ausência de moral, oras, desculpas são fáceis de se arranjar, justificativas mesmo um assassino tem. Pedro, o mendigo, o matador, o ser que sacrificou sua vida por uma idéia tem justificativas para seus crimes, ele está certo em cometê-los?
O caminho do coração é sempre o correto, pois é o único que te dá orgulho em troca de suas lutas, a derrota ou a vitória de nada importam se você fez o que desejava. O tentar, o realizar é o que se busca. O rugir no peito nunca deveria ser abafado, e só o é, para que a vida social, da maneira que a concebemos, possa se manter. Se todos seguissem seus anseios seria possível caminhar pelas ruas? Não! E por isso, desde jovens, somos treinados, domesticados, domados, do contrário, não haveria um reino para poucos reinarem.
Um policial que mata um ladrão é um bandido. Um ladrão que mata um policial é um bandido. Como tirar uma conclusão sobre isso? Não tiramos, apenas acatamos opiniões alheias, somos muito bem treinados em fazer isso, tivemos uma vida inteira para aprender a fazer isso.
Em uma sala de aula você aprende a se calar, a obedecer aos mais velhos, a respeitar o policial, a nunca reagir quando roubado, a entregar tudo o que tem. Ensinam-lhe que deve estudar para ser alguém, fazem-no acreditar que deve seguir e nunca comandar, deve ler, escrever jamais. O plano é que você seja o secundário, apenas um figurante na sociedade deles, apenas um mero grão de areia, esta não é a verdade? Realmente somos infimamente pequenos?
Nosso planeta é apenas um amontoado de rocha, jogado na periferia de uma galáxia de segunda ordem, no meio da inacabável espaço? Somos minúsculos, esta é a verdade? Você acredita nisso?Eu acredito que tenho de ter fé, não em mim, mas sim no que eles falam!
Eu acredito, sou humilde, sei de minhas limitações, as quais sei enumerá-las perfeitamente, opostamente as minhas qualidades, as quais desconheço. Eu sou um nada, sou um escravo de um mundo que, acima de tudo, ignora minha existência. Estou sobre controle, sou um ser, razoavelmente civilizado, triste, fraco, deprimido, a buscar a liberdade e a felicidade, embora desconheça totalmente, o significado real destas palavras dotadas de enorme abstração. Eu sou um vencido, um figurante em minha existência.
Os produtores de laranja não se preocupam com as laranjas, saudáveis, elas estão prontas, o trabalho foi bem feito. Os produtores temem as laranjas podres, amedrontam-se ao pensar no estrago que uma laranja estragada pode fazer nas demais.Eu não tenho importância, e o fato de acreditar nisso me faz uma laranja saudável; pronta para ser vendida, consumida, apreciada, devorada, ou mesmo jogada fora, meu destino não tem valia.
No passado eu escrevi sobre um protagonista.Ele levantava sua cabeça, caminhava para frente e fazia o que acreditava. Ele não se diminuía em silêncio, não acatava, não subornava, não se menosprezava em fazer o que tinha certeza ser errado. Pedro não deixava que o mundo o mudasse. Ele acreditava ser o centro do universo, o protagonista de sua vida. Esta é resposta, e esta é a verdade, sou a prova disto, sou um fracasso que mesmo em letras deixo meu papel principal ser tomado por um outro alguém.
Um protagonista se define não por fazer o certo ou o errado, e sim por fazer ou não o que acredita. O que o marca é a diferença que nutre do mundo domado ao seu redor, das laranjas saudáveis a sua volta.
É hora de tomar o controle de minha vida, assim como um certo Pedro fez.
Vestir a fantasia de super homem não o torna um herói, tão menos lhe da superforça e todo o resto, no entanto lhe dá algo fundamental; coragem.
Chegou a hora de estragar algumas laranjas!

Humano, tolo, falso


Eu adoraria discorrer sobre a morte, porém seria apenas mais um tolo, um falsário, pois em minha existência uma única vez tal glória provarei, e após ela, creio, nunca mais escreverei.
Eu poderia discorrer sobre a vida, porém seria apenas mais um tolo, um falsário, pois verteria pensamentos sobre uma possibilidade, uma hipótese, pois o existir difere do viver. Abdico de considerações sobre aquilo que desconheço.
Eu certamente seria capaz de discorrer sobre o ódio, porém seria apenas mais um tolo, um falsário, pois o que, e a quem odeio são somente de minha propriedade e imundo me sentiria se em uma mente incitasse tal sentimento, humano, e por tal, putrefacto por natureza.
Eu poderia discorrer sobre a liberdade, porém seria apenas mais um tolo, um falsário, pois nunca a tive, amo por demais para ser abençoado com tal glória.
Eu com certeza seria capaz de discorrer sobre a lógica, porém seria apenas mais um tolo, um falsário, que nunca sentira o cair dos céus sobre o coração, que nunca sentira o surdo baque da paixão, que nunca presenciara o fim dos porquês e, acima de tudo, a ausência dos amanhãs, ou simplesmente, a felicidade como é comumente chamado tal estado.
Eu adoraria discorrer sobre o futuro, sobre os sonhos, sobre o passado, sobre a paz, sobre Deus, sobre cada antônimo do que aqui fora citado, eu adoraria, eu faria, porém seria apenas mais um tolo, um falsário, que a vida entrega ao impalpável, aos sentimentos, as palavras por nós inventadas sem correspondentes no real mundo.
Eu odeio discorrer sobre minha tolice, minha falsidade, meu ímpeto em expressar o que a mim pertence, o desejo em expor o tesouro que meus olhos captam e tão poucos vêem.
Eu odeio discorrer sobre minha tolice em profanar a beleza com sentenças poéticas, falsas, humanas.
Eu odeio discorrer sobre minha tolice em crer, que letras, que histórias, sonhos, tinta sobre o papel, possam fazer alguma diferença na vida do que é naturalmente humano.
Eu odeio admitir minha natureza, tola, falsa, humana, logo, invalidando tudo o que aqui fora escrito.

Coração aberto; olhos fechados



O álcool em seu sangue diminuía seu mundo, as paredes do bar pareciam a cada instante mais próximas de seu corpo. Seu olhar se fixava, sua mente desejava, sua imaginação vagava por cenas de prazer desconexas, sem pudor, naturais, pessoais. Ele a olhava, via sua vida, ali, ao alcance de alguns passos. Sua mão ansiosa acariciava a mesa de bar, sua boca, molhada previa o futuro que a aguardava. A conta crescia, doses e mais doses, junto com elas, cada vez mais, o rufar no peito, o arder na mão, o pulsar de cada músculo do corpo a antever a ação.
O olhar, fixo, se imaginava um artista, via sua obra-prima, a mais medíocre beleza que podia criar, as mais sinceras pinceladas que sonhava em dar, tudo o que se anseia, tudo o que não se quer. Descrições para o que ele via se fazem desnecessárias, palavras são incapazes de expressar o quadro que se formava na mente de Silva. Palavras refletem atos, portanto, podem descrever ele levantando, após horas a encarar uma mulher acompanhada, são capazes de transparecer o gosto do sangue que ele sentiu em sua boca assim que tomou o primeiro soco, a textura de terra que sua língua captou ao perceber que seus dentes haviam se quebrado, para isso, talvez eu possa me utilizar das palavras, no entanto, elas são por demais simplórias, frente ao vendaval de emoções que subiu do peito daquele homem ao vislumbrar a face de tristeza de sua Monalisa, ao vê-lo jogado ao chão.
A dor a algumas doses atrás havia se retirado da companhia de Silva, em virtude de sua ausência a coragem, a idiotice, quem sabe, a paixão resolveram fazer-lhe as honras de parceiras, bem acompanhado ou não, como saber? Ele se levanta, está perdido, não sabe onde está, não sabe porquê está, nada de anormal, sempre em toda sua vida sentira-se assim, logo, familiarizado era. Em pé, encara sabe-se lá quem de cabelos compridos, metido a pitbull, pose de fortão, músculos de musculoso, ele é o homem de sua Mona, ao menos acredita nisso. Provavelmente acha-se dono daquela garota, pobre coitado, doce decepção.
Uma única coisa pode-se afirmar de Silva, ele conhece as pessoas, olhares, gestos, o tom da voz, o ritmo da respiração, tudo se unia e formava uma figura nua aos olhos daquele homem que, neste instante, se via em meio a uma pequena confusão, temporária. Ele sabia, e como é precioso o saber, deter o conhecimento, entender. Pode haver algo melhor que isso? Desde o primeiro momento que Mona o olhou, de canto, tremendo, ele foi capaz de perceber. Veio o segundo olhar, um pouco mais penetrante, muito mais revelador; no terceiro olhar cruzaram os olhos, no quarto se amavam, no quinto Silva estava louco, sabia o que aconteceria, até o fim da noite ela seria sua, ambos desejavam isso. Bem...Pelo tamanho do “ex “ de Mona ele também previu uma certa dor, uma boa dose de contato físico, nada que não fosse capaz de suportar, nada que o fizesse morto, logo, valia a pena!
Em pé, nos pulmões um ar pesado, nos olhos uma decisão, mãos cerradas, corpo pequeno, 1,72 de altura, sessenta e cinco quilos, pouquíssima força nos punhos, uma decisão na cabeça. Silva encara o corpo bem desenvolvido de seu adversário, sim ele é mais forte, mas não é mais homem, pois um homem, não é um acúmulo desnecessário de músculos no corpo e um atrofiamento do cérebro, um homem se faz com ações, e Silva...era homem.Bem este era seu pensamento no instante em que levou o segundo soco, este, no estômago, este, tão dolorido que até mesmo o intestino viu-se obrigado a manifestar sua insatisfação.
Uma infinidade de segundos se perdeu, um montante infimamente pequeno de minutos se passou para o homem, um incontável de ódio se condensou no inferno que se tornou o pensar de Silva. Por míseros minutos o homem sorriu, por um século Silva odiou ao mundo e a si mesmo por sua incapacidade em realizar seus desejos, por sua debilidade em ser, porque sua mente era tão distante da realidade, porque o Silva que se via no espelho não era o mesmo Silva que se refletia nos olhos ao seu redor?
Um relance, um rápido olhar perdido para a esquerda, uma garrafa, ele a pega, a quebra, levanta-se, uma vez mais, no momento exato para ver uma garrafa se quebrar na cabeça do homem, para observar o sangue daquela careca desprezível ir ao chão juntamente com os cacos de vidro, para sorrir ao ver aquele exemplar de monstruosidade jogado. Silva olha para sua mão, a garrafa ainda está ali, o que aconteceu? Não importa, o homem está ao chão e ele está em pé, e a garrafa, bem a garrafa não esta mais em sua mão, o sangue, goteja, o sorriso é prazeroso, a realidade é real. O prazer de acertar um homem no chão é o mesmo de acertar um homem em pé, conclui, porém quem deu a primeira garrafada?
Um puxão responde a pergunta que não fora proferida. Charles, seu amigo, “o amigo”, uma frase:
- Venha logo, estamos sozinhos...preciso sempre te salvar? Você precisa sempre ser tão você?
Silva só percebe que está sendo arrastado por Charles a alguns metros do corpo ainda ao chão do homem, ele só nota que para trás esta ficando seu maior amor inventado da noite ao estar distante do bar. Um debater, um movimento rápido, ele corre, tropeça, cai, chega frente a ela. Ainda mais bela, ainda mais perfeita, ainda mais ela. Ao alcance maculado de suas mãos, ao raio pérfido de suas palavras, no perímetro do calor de seu coração. Ela é sua, ela é Mona, ela sabe disso, e ele sabe disso, toma-a pelas mãos, leva-a consigo, correm, desconhecem, correm, saem, fogem; juntos.
A noite é fria fora do bar, as luzes da desconhecida cidade gigante parecem entreter Charles enquanto Silva caminha ao lado de Mona. Eles se falam, eles se olham, eles se...Nada tem valor, nunca teve, o passado se funde ao presente, que por sua vez devora o futuro, assim como sempre devia ser, da maneira como nunca fora. São tão iguais, são reflexos em um espelho quebrado, são irmãos, velhos amigos, paixões esquecidas, são Silva e Mona.
A noite é longa, tão curta como a brasa de um velho tronco, tão quente como o pólo solitário de nosso planeta, tão extrema quanto nossa existência, na noite criou-se o mundo, nas noites criam-se as vidas, naquela noite criou-se um elo, tão frágil quanto nós, tão forte quanto nós. Mona e Silva foram um, ou não, deitaram-se, abraçaram-se, beijaram-se, oblíquos como estas palavras, comungaram como santos, multiplicaram os, ditos, pecados, adormeceram, como anjos, felizes como não deveriam, jamais, serem. Indefinível foram àqueles momentos, incompreensíveis, mesmo a eles. Juntos, como Silva sempre soube, como Mona sempre soube, como o mundo nunca quis.
E assim foi, a vontade do mundo sempre prevalece, nossa insignificância sempre se destaca. Amanheceu, e juntamente com o Sol veio a realidade sem disfarces alcoólicos, sem retoques surreais, sem felicidade barata. Sozinho, machucado, triste pela perda, feliz pelo sonho, assim foi o despertar de Silva. Levantou-se, estava no apartamento velho que haviam conseguido alugar por um final de semana, ele e Charles. Ao seu lado um cheiro agradável de noite feliz, em sua boca, além da dor, um doce perfume de beijo azedo. Mona sumira, de sua realidade, mas não de sua cabeça, nada que Silva já não houvesse previsto, nada que ele não odiasse. Ele pega seu velho caderno de anotações, pega sua caneta, e na medida de si mesmo, fotografa aquele momento:
Cheiro a ti,
Cheiro ao que não tive,
Cheiro ao que desejei;
Cheiro ao que , feliz, não tive.
Cheiro ao que sou, ao que fomos,
Cheio ao arrependimento, que me dói.
Cheiro ao que, agora, infeliz, não tive.
Cheiro ao que não existiu
Cheiro ao mais real sonho.
Cheiro a mim
Cheiro a ti
Cheiro a tudo,
Ao vinho que cobicei
A taça que não bebi
A vida que escolhi
A noite que se foi
A realidade que me abraça
Cheiro...
Sou assim, a tudo sinto,
Existem tantos cheiros
Porque, justo eu, os sinto tanto?
Porque me é permitido?
Assim...
Cheiro, a mim
E o fedor me perturba,
Frente a tantas fragrâncias divinas.
Cheiro,
Fedo!
Fedo?
Ele lê, não entende, joga no lixo, abre uma cerveja guardada na velha geladeira, corre, vasculha a lixeira, pega o papel, dobra, carinhosamente, acaricia-o, guarda-o. Por um segundo estava a ser como o resto. Jogando fora o incompreensível, temendo o desconhecido, isolando o estranho. Não! Silva não era como o resto, nunca fora, e agora também não seria.
A cerveja flui áspera por sua garganta, a ressaca rugi em seu estômago, um novo soco chacoalha o seu mundo:
- Realizei meu desejo! Desde ontem só penso em te socar! Em bater em seu rosto até que você sinta muita dor.Me diz, por que a mulher do gigante? Por que eu entro nestas brigas por você, quando você não tem a mínima razão? Por que você é meu amigo, como odeio ter esta resposta! Mas até quando vai ser tão falso consigo mesmo? A cada noite uma nova paixão, a cada manhã uma nova decepção? Encare os fatos, um dia vamos nos foder. E vale a pena? Veja, olhe ao seu lado, está sozinho, da mesma maneira que esteve ontem, e antes, e antes. Deslize a mão por seu rosto, senti a dor, valeu?
Um grito arranhado, um gemido contido, uma gota mais de sangue derramado, mais uma manhã.
- Desculpe-me, mas preciso fazer isso, um soco só não seria o suficiente para sanar a minha ânsia, apaziguar a raiva que sinto por sempre me meter em tretas por você. O ódio que me rasga ao vê-lo cometer sempre o mesmo erro. Noites novas, pessoas novas, histórias iguais, enxergue, está na sua cara, até quando? Até quando conseguiremos correr, fugir, até quando
Foram estas as palavras de Charles, o melhor amigo de Silva, fora este o fim, fora esta a última declaração, o ultimo sussurro gritado ao pé do ouvido, assim finalizou sua participação no mundo: sincero, tristemente, real!
Silva sempre conseguiu prever as ações das pessoas, por meio de pequenos gestos ele era capaz de traçar um perfil, provido de padrões de reações definidos a influências do meio, resumindo, ele sabia o que você ia fazer. Isto sempre lhe trouxe uma certa confiança, um pouco de segurança, porém ele nunca preveria que o homem da Mona o seguiria até seu apartamento, que o homem o esperaria, o aguardaria, com uma arma em mãos, vingança no coração, impunidade na mente, amigos no carro com o motor ligado no outro lado da rua. Silva nunca conseguiria prever a cara de pânico de Charles ao ver o amigo baleado no peito, mesmo tendo ele sido atingido antes, na barriga. Silva nunca preveria estas mortes, nunca preveria Charles se arrastando em sua direção, abraçando, em prantos, beijando-o. Silva nunca preveria, pois nunca olhou, nunca prestou atenção ao amor que por tantas vezes o salvou. Este foi o fim, simples. Charles e Silva, este foi mais um fim, que como todos os outros que antes vieram, e depois se seguiram, da tristeza e da alegria sempre compartilharão.

Palavras Vomitadas

Pelo que se lutou no passado? Pelo que lutamos hoje? A era da informação? Ou a era da distração? Já dizia alguém “temos tudo, mas não temos nada”.
Não existe mais a dificuldade na busca da informação, porém o conhecimento onde está? As glórias estão no passado, as lutas lá também ficaram, a busca em si está enterrada, e a vida onde está?
Muitos tentaram definir o que é vida(veja o dicionário). Diria o mais simplório: o contrário de morte; o poeta: é a inspiração sublime que arde dentro de nós; o biólogo então diria: é tudo a nossa volta, desde o mais complexos dos seres, até a simplicidade de uma folha ao vento; para que então o religioso completasse: é o presente que Deus nos deu. Mas afinal, como definir?
Tudo o que EU posso afirmar vem de minha “vivência”, minhas experiências e as conclusões que tirei delas. Vida, não é acordar cedo e se matar em busca de coisas que realmente não necessitamos. Vida é não ter destino, é o imprevisível a cada novo instante de descoberta. Vida, não é ficar sentado em frente a uma tela de computador, buscando amigos, buscando conexões, buscando a vida! Uma vida envolta em falsidades, em paixões fictícias...minto, que mal pode haver em paixões inventadas? Todos precisamos delas...
Vida é aquilo que somos, embora hoje esteja impossivelmente longe de nós. Hoje nascemos e morremos gado, pensar? Não, isso a que chamamos de pensar é apenas a influência do meio agindo em nosso inconsciente, afinal você realmente precisa daquele carro, aquela televisão, o final da maldita novela. Nosso pensamento é facilmente guiado, assim como cordas de uma marionete.
Sentido...esqueça, retorne aos seus livros, as suas ditas grandes verdades, de seus grandes pensadores....essa é a sua, a minha, a nossa grande mediocridade. Eu não escapei, e você provavelmente também não o fará, te apresento a nossa maravilhosa pseudo-vida, a nossa tão bem feita prisão, com certeza nossa maior realização, em quanto espécie Homo sapiens. Olhe no espelho e veja tua maior barreira!
Mesmo estas palavras vomitadas aqui, não acreditem nelas, não as leve a sério. Elas não são nada, assim como você! Assim como eu! É triste ser escrito e não ser escritor; e triste ser história e não criar história.
Assim como uma chuva no mar, gotas no oceano; assim como o álcool em nosso(meu?) sangue e a poluição em nossos corações, sem razão explicações ou motivos. Just this!
Os culpados residem na primeira pessoa do plural, e somente lá. Olho para trás nesta maldita escada composta de milênios e vejo o que deixamos para trás, é triste, como é!
Meu desafio, pegar estas minhas palavras vomitadas, estas minhas idéias desconexas, essa minha visão empírica, e transformá-la em uma história digestível por todos, para que então todos possam compreender do que realmente se trata tudo isso.Quem sabe um dia...

And I see you on the other side

Não julgue um homem simplesmente pelo seu modo de vida, suas ações, sua maneira de responder aos estímulos que o mundo lhe envia, não somos tão simples assim. Só se pode julgar um ser aquele que for capaz de enxergar de cima, de fora, o contexto onde tal imperfeita criatura vive.

Somos escravos, de nossos desejos, de nossos instintos, de nossas necessidades biológicas, livre arbítrio...Doce ilusão...Liberdade o que você deseja? E o que seria isso nos dias de hoje?

Dinheiro? Carros, falsa segurança? Você é um reflexo da sociedade onde vive, sua personalidade é uma faceta do contexto onde você está inserido, Eu sou apenas mais um, uma alma livre nessa prisão do existir, sem propósito ou finalidade, apenas vivo um dia após o outro.

Passo após passo...Assim como você, apenas de um ângulo diferente...

Tenho filhos para sustentar, fome para matar, um futuro em minhas sujas mãos, sabes melhor que eu que não sou o único, faço apenas o necessário e acredite, existem muitos piores que eu. Não vou matar-lhe, gostei de seu rosto, algo me diz que você tem algo de diferente pulsando ai dentro da sua cabeça, quem sabe um dia não me retribua este favor.

Ora, não me olhe assim, ponha se em meu lugar!!! Apenas faço o que tem que ser feito, assim como os urubus que se alimentam da carne podre, eu me alimento de você, sou um agente criador do medo neste sistema, sou necessário, afinal, sem mim haveria muita carniça pelas ruas.

De qualquer forma, vá! Corra fuja, você viverá hoje! Vá!

Corra, como se realmente houvesse esperança para a sua vida, corra como se um dia você fosse capaz de tocar o rosto de sua mulher novamente, de ver o sorriso de seu filho, esqueça, este é o seu fim, te vejo do outro lado, adeus!

Assim como uma criança

Simplesmente curioso, assim se definia um físico que exercia seus conhecimentos matemáticos em uma pequena e velha empresa contábil alemã. Um homem que via o mundo pelos olhos de uma criança, curioso, ansioso por entender o enigma de nossas vidas. Para ele cada folha que se lançava ao vento era mais uma pista dada pela natureza para resolvermos tão complexa e magnífica charada. Seu nome? Albert Einstein.

Nossa mente é fértil, um nobre solo para novas idéias. Porém, muitas vezes não plantamos semente alguma, por diversas vezes não cultivamos neste solo, nada além de flores de plástico, compradas, prontas, que a nós não dão trabalho algum. Muitas vezes o cinza da rotina enuveia nossas mentes, cansando-as, restando a ela somente a função de coordenação de nossos órgãos vitais.Criamos preconceitos, adotamos definições, fórmulas, algoritmos, tudo o que puder facilitar, toda a comida já mastigada é melhor, não é?

Quem se surpreenderia mais ao ver uma apresentação na qual um ilusionista levita sobre a platéia; você ou uma criança? Você, pois sua mente já está trancafiada na idéia de que homens não são capazes de levitar , afinal tal fato é contra as leis da natureza, ou melhor as leis dos homens.

Enxergue o mundo através de seus olhos, não por meio de fotografias tiradas por aqueles que tiveram mais coragem que vocês. O desejo de entender esta união de incontáveis perguntas que gentilmente apelidamos de vida, vem de dentro. E para os poucos, que fizeram desta necessidade o guia de suas vidas, existem páginas e mais páginas em nossos livros de estudo, seus nomes e teorias se tornaram parte da história da humanidade, mas eles estavam certos? Só há uma maneira de descobrir...

Por isso, seja uma criança, curiosa, deslumbre-se a cada momento com o mundo que se abre ao seu redor, toque, aperte, morda. Tire as suas conclusões, crie o seu conhecimento, monte o seu mundo. Faça do quebra-cabeças da vida seu objetivo maior, afinal “ as sementes da descoberta flutuam constantemente à nossa volta , mas só lançam raízes nas mentes preparadas para recebe-las”.

Texto desenvolvido para a avaliação da disciplina de Leitura e Produção de Textos, no ano de 2006, na primeira série do curso de Letras

Sobre a crônica?

Sobre a crônica?

Da tentativa nasce o acerto, do acerto a felicidade e satisfação...na tentativa de uma crônica o que há de sair? Li, escrevi, mas creio que ainda não saiba como extrair da beleza do dia uma bela e majestosa fotografia, que em sua simplicidade viva a alegria que tento fazer verossímil a meu texto.
Uma linguagem coloquial de mim é exigida, pois bem, algo mais coloquial que alguém que não consiga captar o mundo ao seu redor e transforma-lo em belas palavras capazes de dar suficiente diversão para seu café da manhã, enquanto saboreia um quente pão francês e lê seu jornal predileto. Quão coloquial devo ser para tentar exprimir a necessidade que tenho de escrever esta bendita crônica.
A crônica da busca, da falta de inspiração, do desejo cego por algo que não se sabe o que é...se é que “é”...
Em um belo dia cinza e úmido, no ápice da inspiração divina, alguém teve uma idéia:
- Não sei o que escrever, logo, vou escrever sobre o simples, tentarei recolher de nossas vidas uma vaga idéia de seu conteúdo, conseguirei? Bem só há uma maneira de descobrir e matar o meu tédio ao mesmo tempo.
E assim surgiu a primeira crônica, ou não...de qualquer maneira quem liga para a crônica da história da crônicas. Há tantas coisas mais interessantes para se falar, dos nossos políticos corruptos, dos nossos aviões que caíram ou mesmo de nossa apatia e comodismo com tudo isso.
Porém eu não sou capaz de escrever sobre isso, e rapidamente me recolho a simples e estúpida razão de ser de minha crônica, a falta da razão. Talvez minha crônica não seja assim tão simples quanto deveria, ou ainda tão bem estruturada como alguns desejariam, mas é verídica.
É a verdade batendo a minha porta ...mas o que importa, finja que não leu, esqueças de toda essa baboseira, afinal quem se lembra de uma crônica, meu objetivo já foi alcançado se você trouxe seu olho e sua atenção até este ponto. Agradeço e felicidades em sua vida, e sinceramente espero que tenha mais sorte em suas próximas leituras.



Perspectivas
-Do alto

O caminho foi longo, uma subida demorada, gerações após geração fomos empurrados para o nosso destino. Nossa mãe nunca soube onde iríamos chegar, porém, ela sempre soube que estávamos nos desenvolvendo, hoje vemos que maravilha nos tornamos. Alçamos vôo.

Calmo, tranqüilo, vejo a noite e vejo o dia, pausadamente, vagarosamente...devagar como sempre foi, e como sempre deveria ser. O sol tocando minhas penas com seu carinho fraterno, as nuvens abraçando meu corpo, a leve brisa quente me empurrando para o infinito desse mundo, como uma orquestra em harmonia com meu ser, proporcionando a beleza de meu vôo. A magia do pairar na imensidão azul. Sim, estes são meus companheiros.

Aqui mesmo, nas alturas, sou capaz de fechar meus olhos e adormecer, e no colo acolhedor de minha mãe permanecer. Vivo minha vida livre, sem destino, somente com um propósito; passar adiante a mim mesmo, passar adiante o melhor de mim, é esta minha única tarefa em meio a essa beleza azul anil.

Aqui em cima a tristeza dos milhões de corações que povoam o mundo não é mais sentida, aqui o cheiro podre de vidas regadas a tropeços e desejos não chega mais, aqui fui abençoado com a distância.

Minhas longas asas... as mais belas já concebidas por suas mentes ainda estariam distantes da visão das minhas. Pois minhas asas, tem o exato tamanho e formato grandioso de minha felicidade.

Minhas pernas...atrofiadas, fracas, em desuso, pois há tempos não tocam o chão, pois há tempos se tornaram puras, livres do abraço da amargura da superfície podre.

Minha vida é plena, minha alegria onipresente e isto não chega a te causar inveja, ou chega...pois eu estou além. A quilômetros do que seus olhos podem ver e suas mentes entender. Estou acima de sua terra, a milhas distante de suas cidades, do cinza de suas vidas e do vermelho de suas mortes.

Minha mãe lhes deixou o canto belo e limpo de meus irmãos, embora vocês não sejam capaz de aprecia-lo sem impor a sua rédea, sua prisão. Porém, nem mesmo a falta da liberdade os impede de trazer minutos de prazer a seus ouvidos, segundos atenuantes em meio às horas de megalomania de suas vidas, impede?

Assim sou eu, assim é minha vida...assim deveria ser a de todos vocês, movimentada pelos apelos básicos da existência, nada de buscas sem sentido, ou desejos não desejados. Pois, dessa maneira nossa mãe nos fez para sermos felizes, e vocês também devem ser felizes.

Essa é a minha perspectiva....aqui do alto....




A criatura:

Os andorinhões são aves de pequeno porte, com comprimento situado entre 9 a 25 cm, consoante a espécie. A sua plumagem é geralmente preta ou castanha, sem dimorfismo sexual evidente, mas algumas espécies apresentam barriga mais clara e manchas coloridas na zona da garganta. As asas afiladas em forma de boomerang são extremamente longas, por comparação com o resto do corpo. As penas primárias, longas e estreitas, junto com as penas secundárias muito curtas, permitem aos andorinhões um voo rápido e a possibilidade de planar. O bico é muito curto e um pouco recurvado. As patas e dedos são extremamente curtos e quase invisíveis quando o andorinhão voa. Esta característica é a origem do nome do grupo e da ordem Apodiformes (do grego a, sem + poda, pés). As glândulas salivares dos andorinhões são relativamente grandes para animais desta dimensão e aumentam de tamanho na época de reprodução.

A fisiologia dos andorinhões é especialmente adaptada para o modo de vida aéreo do grupo, por vezes a grande altitude. O tipo de hemoglobina que possuem é diferente das restantes aves e permite o transporte de grandes quantidades de oxigénio a baixa pressão. Graças a estas adaptações excepcionais para o voo e ao formato das asas, os andorinhões passam grande parte do seu tempo no ar e algumas espécies (como o andorinhão-preto) são inclusivamente capazes de dormir enquanto planam.

Mais Informações : http://pt.wikipedia.org/wiki/Andorinh%C3%A3o

Sonho



Sonho


Sonhar ato sublime no qual nossas mais profundas necessidades, nossos reais anseios, são atendidos. Sonho, belo mundo em que manifestamos a nós mesmos em tudo, mundo este que nos vemos em tudo. Saciamos até mesmo o que nossa consciência , presa da maneira que é, reprova. Paraíso do imoral, da falta de conseqüências, da beleza e da feiúra. Templo erguido a nós, ruínas da prisão em que vivemos, picadeiro onde somos o espetáculo.

Eu sonho, tu sonhas, nós sonhamos, porém quem realiza? Quem de nós é capaz de realizar? De provar, saborear, tatear a liberdade pura e fresca que em nossos mais íntimos sonhos vivemos. Quem é capaz de realizar os cultos de prazer e realização que lá celebramos.

Por noites sem fim sonhei, e nesses sonhos havia um ideal, uma nobre forma de viver, um caminho estreito a ser seguido. Em meus sonhos havia a maneira, de se ser melhor, de se realizar da maneira que eu desejava.

Por noites sem fim sonhei, e estes sonhos traziam consigo a necessidade de realização, eles traziam o ideal que eu deveria perseguir, um desejo de que cada batida de meu coração irradiasse para o meu ser , a força, a coragem e vigor para meu sonho trilhar . Porém, a mim nunca foi possível trazer estes anseios, para o concreto. Puxa-los de sua realidade onírica para minha vida, dura e seca.

É triste perceber isso. É doloroso ver que nunca fui capaz de transformar meu sonho em realização, nunca o concretizei, embora, desejasse do âmago de meu ser, nunca tive o heroísmo necessário. Fui levado pela rotina acolhedora e segura, e agora vejo quão covarde fui.

Aqui estou eu, metade de meu corpo coberto por lama, em uma trincheira. Sinto meus dentes batendo de frio, embora o sol seja onipresente no ambiente, será esse o presságio do final? Ou sinto este frio por ter chego a tão obscura conclusão a respeito de minha covardia.

Escuto uma sinfonia, de dor e desespero, tiros e gritos, uma celebração a um sonho. No céu fogos de artifício matam e destroem, manchando a terra com a tristeza, é um ideal sendo seguido, e como é bela a realização.

Em minha casa, a quilômetros daqui, abandonados estão; sim...meus filhos, a cama de minha esposa. É confortante neste instante relembrar minha esposa, seu sorriso, seu toque, seu olhar, o doce vinho de suas palavras. Quem cuidará deles agora? Como fui ingênuo ao achar que fazia tudo isso por eles.

Não desejo essas lágrimas que neste instante escorrem de meus olhos, porém esta correnteza não sou capaz de deter. Vivo um sonho, porém não o meu. Vivo os desejos de um conquistador, que em mim viu solo fértil para semear seu sonho, que em mim fez nascer a coragem que sempre desejei. Ele me fez acreditar que todo esse tempo essa era minha luta, a guerra pela paz de minha família, pela tranqüilidade e felicidade de meus netos ainda por nascerem.

Não há mais o que fazer o relógio de minha vida já marca a meia-noite de minha existência. É o fim, e para o caminho que escolhi não há volta, ou mesmo, perdão. Sei que é a ultima vez que empunho meu fuzil e o faço em lágrimas, pois sei, que nunca fui capaz de empunhá-lo em minhas guerras.

Realmente é verdade; ” é mais fácil morrer pelo ideal de alguém do que pelo seu próprio ideal”.

Ao grito do capitão, levanto-me e disparo em passos largos em direção ao inimigo.

- Por sua Alemanha!!! – e penso, por minha derrota...

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O calor emanado da lareira é fraco e doente, quase não há lenha e o inverno é longo na Alemanha. Uma mulher prepara um pouco de sopa para seus filhos. Nos olhos dessa mulher vê-se tristeza, melancolia. Algo falta naquela família, algo além de lenha, algo que nem mesmo toda a lenha do mundo poderia substituir, no coração daquela família falta um marido, um pai.

Duas crianças olham um velho álbum de fotos, para poderem lembrar de seu pai, pois a dor de não vê-lo a seis meses é cada vez mais forte. Embora sua mãe lhes diga que seu pai luta por eles, o jovem coração daquelas crianças ainda não é capaz de entender a guerra.

-Mãe! – chama um dos garotos, Adolf de oito anos.

- Sim, filho...

- Quem é esse velho com papai?

- Ele é seu avô, ele mora longe daqui, na Polônia, nessa foto eles estão na sua fazenda...

- Seu pai quando voltar irá comprar-nos um pedaço de terra longe dessa fria Alemanha, e plantar, assim como ele sempre sonhou... ele sempre quis ser como seu avô um fazendeiro. – Diz a triste senhora.

Brasil???

Frio, tosse, febre, dores, SIM!!! Assim eu me sentia enquanto assistia aquele jogo “besta” da copa, afinal o nosso Brasilzão, estava fora...

Besta? Não...que jogo lindo, viam-se guerreiros em campo, prontos para entregar sua vida naquele momento de emoção, brigavam pela bola, como se somente ela importasse,como se a TODA PODEROSA BOLA, fosse o centro do universo....e não era?

E o que eu, o enfermo, senti?

Inveja, muita inveja, porque nossos jogadores não fizeram isso?

E o que eles fizeram?

Que espécie de pessoa pode sair de campo sorrindo após perder um jogo, partidinha essa que um país, uma enorme nação parou para assistir, e só não chorou ao seu fim por vergonha, pois o que havia se visto em campo não refletia a nós Brasileiros.Povo guerreiro e batalhador que apesar de todos os problemas que batem a nossa porta TODOS os dias, não deixamos de sonhar com tempos melhores.

Não sou um adorador do futebol, na realidade só assisto a jogos de futebol na época da copa do mundo, pois acredito, ser de tamanha insensibilidade um brasileiro que não se comova com a euforia que toma conta de nosso sofrido povo.

Eu torci, gritei, ajudei na ”vaquinha” que o pessoal de minha rua fez, para comprar bandeirinhas e então podermos nos cercar do verde-amarelo que nessas épocas, tanto amor nos desperta. E me envergonhei...

Ó italianos, que até o fim brigaram e nos últimos dois minutos...dois gols fizeram...Pensem bem...faltando dois minutos para o fim da partida eles fizeram DOIS gols....Eles acreditaram, e seus corações, suas fortes almas os levaram a vitória, pois aquela altura seus corpos estavam esgotados.

Ó alemães, que embora não tivessem talento algum, foram passando barreira por barreira, lutando empurrados por um povo, que até pouco tempo tinha vergonha de gritar o nome de sua seleção, para eles a torcida teve muito valor...mandaram para casa até mesmo nossos “hermanos “.Ponto para eles!

Nós brasileiros terceiro mundo para uns, país emergente para outros, que somente nessa época conseguimos colocar nosso corpo caboclo à mesa de honra mundial, que somente em tempos como esse, somos considerados a “elite” para então desfrutamos do que os italianos, alemães, franceses, cansam de desfrutar todos os dias de sua vida.

Não é nos menosprezando que vamos chegar a algum lugar...mas que INVEJA viu!!!